O Céu não tem que ser chato

A muralha era feita de jaspe e a cidade de ouro puro, semelhante ao vidro puro.
Os fundamentos das muros da cidade eram ornamentados com toda sorte de pedras preciosas. O primeiro fundamento era ornamentado com jaspe; o segundo com safira; o terceiro com calcedônia; o quarto com esmeralda;

o quinto com sardônio; o sexto com sárdio; o sétimo com crisólito; o oitavo com berilo; o nono com topázio; o décimo com crisópraso; o décimo primeiro com jacinto; e o décimo segundo com ametista.

As doze portas eram doze pérolas, cada porta feita de uma única pérola. A rua principal da cidade era de ouro puro, como vidro transparente.

Apocalipse 21:18-21

E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom.
Gênesis 1:31

Eu nunca tive facilidade para aceitar que o Céu fosse como me diziam que era.

A primeira imagem do Céu que tive e que a maioria das pessoas conhece era a imagem de um lugar branco, cheio de nuvens, com músicas suaves (de preferência tocadas com instrumentos de corda) e sem muita coisa para fazer, senão orar, conversar e cantar.

A segunda imagem (que foi a que me passaram em igrejas evangélicas e que eu tive, também, sozinho ao ler Apocalipse literalmente) era de um lugar todo feito de pedras preciosas onde provavelmente eu teria de cantar o tempo todo e achar isso legal.

A primeira descrição do céu é a que permite que hajam tantas brincadeiras dizendo que o inferno será um lugar mais agradável para ficar, pois todos os prazeres (bons ou ruins) que seriam cortados no céu estariam a disposição no inferno.

Essas três imagens são falsas (estou incluindo a do inferno).São baseadas em interpretações equivocadas que levam a sério interpretações literais de certas passagens bíblicas simbólicas, moral e tradição.

Não é possível que, Deus tendo criado um mundo como o nosso, com todas as belezas que tem, animais e tudo o mais vá achar legal nos recompensar com um Céu inferior à Terra.

O Céu tem que ter no mínimo as cores que aqui temos, as belezas, as formas de vida e tudo o que é bom aos nossos sentidos e aos dEle também.

Deus não tem nenhum interesse especial em pedras preciosas.Ele apenas descreve a Nova Jerusalém mencionando pedras para demonstrar o valor imenso que ela terá.

Ele usou essa linguagem porque é a que muitos de nós entenderíamos devido à nossas limitações.

Deus não pensa como a gente, mas fala de acordo com o que podemos entender.

Se não for assim, então o Milênio acaba sendo mais interessante do que a vida eterna;é por isso que a maioria dos “testemunhas de Jeová” preferem ficar na Terra do que ir “governar no Céu”.

Ou como diria Caio Fábio de Araújo filho: ”o Céu dos crentes é um inferno”

 

Obs: Por incrível que pareça, a primeira imagem menos chata do Céu que tive foi numa revista da Escola Bíblica Dominical da Assembléia de Deus para “juvenis”.

E você?Como imagina o Céu?

 

photo by: visualpanic

Boas obras e suas recompensas

“Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.

Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto;

e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.”  (Mateus 6 : 2-4)

Jesus diz que toda boa obra é recompensada de uma forma ou outra.

Há os que fazem e mostram que fizeram e são recompensados pelo louvor dos homens.

Recentemente o Google fez uma doação de 20 milhões de dólares para instituições de caridade.

Qual a recompensa deles?Segundo eles próprios, é presentear aos seus usuários.

Ou seja, ao invés de gastar com um presente direto aos usuários, os presenteia com a sensação de terem uma parte no bem praticado pela empresa a outros.

A recompensa dele é ser bem visto por seus usuários.

Essa é uma forma de ser recompensado pelo bem que faz, mas Jesus propõe que se escolha outro tipo de recompensa, a recompensa de Deus.

Para isso, ele recomenda que se faça o bem movido apenas por amor, sem contar para ninguém.

Não que o contar em si seja errado, mas é sempre uma tentação a que se faça as coisas pela motivação errada.

Jesus fez muitas boas obras enquanto estava em carne mas na maioria das vezes pedia para que não espalhassem, exemplificando seu ensino.

Houve um momento, porém, que pediu que contassem o que fazia a fim de animar um João Batista confuso:

E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos, a dizer-lhe:

És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?

E Jesus, respondendo, disse-lhes:

Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes:Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.(Mateus 11:2-5)

Nesse caso, por amor se deveria contar ao invés de esconder(ainda que o bem não tivesse sido feito apenas com a motivação de animar João).

Logo,não é o contar ou não contar que importa mas sim a motivação por trás da boa obra.

Cada um será recompensado de acordo com sua motivação.

Cada um escolha a recompensa que quer receber e não reclame depois.

Crente tem que fazer barulho?

 

Sábado, na conferencia missionária, ouvi mais uma vez o pregador dizer que crente de verdade não consegue ficar quieto.
Embora já pensasse que tais “chavões” não são realmente a forma bíblica de ver as coisas, lembrei-me de uma Palavra de Jesus que parece contrariar esse pensamento tão genuinamente “pentecostal”.

Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. (Mateus 6 : 6)

Vemos aqui que Jesus não apresenta essa necessidade de se fazer barulho (mesmo na oração), mas diz que quem ora em oculto recebe o galardão de Deus, em contraste aquele que gosta de se mostrar para os outros no versículo anterior:

E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. (Mateus 6 : 5)

Eles receberam seus galardões dos homens pois já foram vistos orando e foram reconhecidos pelos homens como bons religiosos.

Um exemplo de inversão de valores…
Enquanto no evangelho o importante é a pessoa e Deus, na religião o importante é que ela prove através de provas visíveis ou audíveis que é crente.e possamos ser recompensados só por Deus mesmo.