Qual foi o pecado de Onã?


Ele

Há diversas interpretações erradas acerca do pecado de Onã, a mais popular dela talvez seja a de que o pecado de Onã tenha sido a masturbação, daí terem criado a palavra onanismo para se referir à ela (embora uma leitura superficial da passagem já dê a entender que o que Genesis narra que ele fazia era coito interrompido, não masturbação ).
Há também quem pareça pensar que o esperma é sagrado e por isso Deus ficaria incomodado quando ele toca a terra ou outro lugar “profano”, como se pode observar num dos comentários feitos no meu texto sobre sodomia:

“…Deus matou Omã,por se recusar a cumprir o ato sexual na sua plenitude(derramava o semem na terra)Gênesis38:9.O que ELE pensaria se em vez da terra fosse «derramado» no orgão excretor,o anûs?”

Outros podem achar que o pecado seria o desperdício de esperma, mas, se Deus realmente ficasse incomodado com isso, imagino que ele faria com que a mulher fosse sempre fértil(para que jamais houvesse desperdício algum) e não existiria nem mesmo a polução noturna.

Olhando o contexto vemos que o pecado de Onã foi não querer dar descendência ao seu irmão, deixando assim de cumprir as leis da época (de que sempre que um homem morresse sem ter filhos seu irmão lhe desse descendentes).

Então disse Judá a Onã:

Toma a mulher do teu irmão, e casa-te com ela, e suscita descendência a teu irmão.

Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão.

E o que fazia era mau aos olhos do SENHOR, pelo que também o matou.

(Genesis 38:8-10)

O pecado de Onã foi o egoísmo de não querer gerar um filho que não fosse carregar seu próprio nome, mas sim o do irmão; o esperma no chão é só um detalhe.

Qual a sua interpretação?Deixe ela nos comentários e ajude a divulgar o post, se acha que ele é importante.
Obs: Não é minha intenção nesse post discutir sobre a relevância de tais leis antigas e nem sobre a forma como Deus castigou Onã (embora eu não veja problema em discutir tais coisas também), apenas quis chamar a atenção para as interpretações bizarras que surgem quando a pessoa lê apenas versos isolados juntamente com interpretações de tolos.

Creative Commons License photo credit: Evil Preacher

Como se rouba a Deus?

Caught in the Act

Caught in the Act por *saxon*, no Flickr

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.”  (Malaquias 3 : 8 )

Costuma-se interpretar o verso acima como se o fato de não se dar o dízimo seja roubar a Deus, pois, teoricamente, 10% de nossas posses pertencem a Deus e deve ser, obrigatoriamente, devolvida.

Mas a Bíblia diz que tudo é de Deus e não só 10%.

“Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude.”  (I Coríntios 10 : 26)

Logo roubar a Deus não tem a ver com não devolver uma parte de nossos bens, pois tudo o que temos(mesmo que não devolvamos nada) já pertence a Ele.

Na verdade o roubar a Deus tem a ver com o roubar ao próximo.

No contexto de Malaquias os roubados eram os levitas, as viúvas e os órfãos que legalmente  tinham o direito de comer dos dízimos e que, não sendo o dízimo dado, ficavam sem ter o que comer:

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem;”  (Deuteronômio 26 : 12)

Deus apenas toma as dores deles e diz que quem os rouba, está roubando a Ele.

Perceba que Deus não apenas cobra os dízimos e ofertas, como também diz para que eles seriam utilizados:

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.”  (Malaquias 3 : 10)

Nos dias de hoje não temos mais levitas e nem uma lei que nos obrigue a dar o dízimo para os pobres, por isso creio que o termo “roubar” não se aplique mais àquele que não dá o dízimo.

No entanto aquele que deixa de pagar um devedor seu para dar o dízimo pode ser chamado assim, pois está tomando posse do que não lhe pertence para supostamente doar a Alguém que já é dono de tudo e por isso não precisa.

A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.”  (Romanos 13 : 8 )

Passado o medo de ser chamado de ladrão, fica-se livre para doar movido pelo amor, sem quantias predefinidas e somente do que se tem.

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”  (II Coríntios 9 : 7)

“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem.”  (II Coríntios 8 : 12)

Jesus cumpriu a Lei por nós

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“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.”  (Mateus 5 : 17)

Algumas pessoas tem entendido o verso acima como prova de que a Lei ainda deve ser cumprida para Salvação, mas ele apenas afirma que Ele veio para cumprir.

Jesus cumpriu a Lei de duas formas: obedecendo-a para si mesmo e para nós.

Havia duas formas da Lei se cumprir em nós:  obedecermos ou morrermos.

“… o salário do pecado é a morte…”  (Romanos 6 : 23a)

Cristo aceitou morrer em nosso lugar sem merecer (pois quem é capaz de cumprir a lei não tem de morrer) deixando-nos quites com a Lei e permitindo que fôssemos salvos, mesmo sem a cumprirmos.

Isso não nos libera de fazer boas obras, apenas nos permite fazer o bem sem depender dele para salvação.

Dependemos apenas daquele que a cumpriu a Lei em nosso lugar e de forma grata tentamos agradá-lo, vivendo em amor. 🙂

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”  (Efésios 2 : 10)

“Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.”  (Gálatas 2 : 21)