Usos, costumes e doutrinas de demônios

“…o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;

Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;

Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças;”  (I Timóteo 4 : 1-3)

Eu acho interessante como Paulo chama de “doutrina de demônios” certos ensinos que em nossos dias muitos apenas consideram “doutrina de homens”.


Sim, pois se alguma igreja disser que é pecado comer determinado alimento apenas se dirá que a igreja está “exagerando” na sua fé, não que está sendo influenciada por demônios.

No entanto, Paulo dá a entender que o diabo não se interessa só em fazer grandes destruições mas também em ser um estraga-prazeres através de suas doutrinas.

Sim, pois, embora os versos acima falem mais especificamente sobre casamento e alimentos, não são só os alimentos que foram feitos para serem usados com ação de graças.

“Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças.”(I Timóteo 4:4)

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Tudo o que Deus criou é bom e também tudo o que é derivado da criação de Deus(como criações humanas que não façam mal por si só) podem ser usadas com ação de graças.

“Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada.” (I Timóteo 4:4)

Há muitos bons prazeres que temos o direito de desfrutar na terra e que o diabo tenta estragar usando supostos pastores para nos proibir.

Proibe-se Yoga,praia,uso de determinadas roupas, posições sexuais,boa música, filmes, TV e até brinquedos(Quando eu tinha 14 anos havia quem tenha me dito que geloucos eram do diabo).

No entanto nem todo costume estraga-prazer é doutrina de demônios, há também a abstinência voluntária de certas coisas para evitar escândalos aos fracos na fé.

“Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize.”  (I Coríntios 8 : 13)

Você costuma se abster de bons prazeres?Faz isso pelos fracos ou por outros motivos?

É pelo amor que somos reconhecidos como discípulos de Cristo

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“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”  (João 13 : 35)

Quando se discute com algumas pessoas sobre usos e costumes algumas costumam apelar para o argumento de que se a pessoa não os cumprir não terá diferença visual dos não-crentes e por isso não será reconhecida como crente.

Para Jesus, porém, o que importava não era o que a pessoa parecia ser e sim o que ela era de verdade.

O que importa é o fruto e não as folhas.

“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.”  (João 15 : 8 )

O que importa é o amor.

Ele é o fruto que deve haver em nós.

Não o amor conforme a visão mundana (natural) mas o amor conforme o Evangelho.

O amor segundo o Evangelho e suas subdivisões podem ser conhecidos em passagens como essa:

O amor é

sofredor,

benigno;

não é invejoso;

não trata com leviandade,

não se ensoberbece.

Não se porta com indecência,

não busca os seus interesses,

não se irrita,

não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas

folga com a verdade;

Tudo sofre,

tudo crê,

tudo espera,

tudo suporta.  (I Coríntios 13 :4-8)

Entender isso nos faz ver que o amor é suficiente pois engloba tudo o que precisaria ser englobado.

Não há como alguém dizer, por exemplo, que crer no amor como forma de reconhecer um discípulo abriria brecha para alguém alegar que já tem amor e por isso pode agir de maneira indecente.

Quem tem o amor segundo o Evangelho já tem a consciência de que não se deve agir de forma indecente.

Quem tem o amor segundo o Evangelho não precisa de regras para tudo, pois “Contra estas coisas [as subdivisões do amor] não há lei.”  (Gálatas 5 : 23)

Usos, costumes e tradição evangélica

“Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.”  (Mateus 15 : 2)

Usos e costumes são vistos de diversas formas na igreja evangélica brasileira, alguns os vêem como bons costumes, outros como uma nova lei dada aos crentes, outros como costumes escravizantes e outros como forma de manter a “identidade” da denominação.

Quando eu era membro ativo da Assembléia de Deus, vez ou outra ouvia algum irmão dizer que sabia que os usos e costumes não influenciavam na salvação, porém ainda os achava bons, alegando que eles evitavam que a pessoa viesse a praticar certos pecados reais.

Muitas vezes, embora a pessoa dissesse em alguns momentos que costumes eram só “bons”, demonstrava outras coisas no seu modo de viver e conversar , como se os usos e costumes fossem realmente mandamentos necessários de serem seguidos, implicando sim na salvação.

Eu era um dos que pensavam assim, pois desde novo convertido foi condicionado a esse pensamento, porém, depois de muito tempo de estudo bíblico e meditação, percebi que tais coisas não tinham importância (primeiro cri com a razão, depois de um bom tempo que fui crer com as emoções).

Há aproximadamente dois anos atrás, fiquei sabendo por uma de minhas irmãs que uma das moças da igreja estava passando frio na escola, pois mesmo nas manhãs mais frias continuava indo de saia para a aula (caso alguém não saiba, algumas denominações proíbem mulheres de usar calças, alegando serem “roupa de homem”).

Como na época eu já entendia que costumes não salvam e até incomodam, embora entendesse a igreja continuar em uso deles, disse a ela que pusesse a calça se necessário, pois eu assumiria a responsabilidade caso o pastor não gostasse.

Porém o pai dessa moça era rígido e não permitia, pois pensava ser pecado mesmo e, como imaginei que meus argumentos não fossem adiantar com ele, resolvi falar com o pastor para que avisasse as irmãs da igreja que poderiam usar calças ao menos naquela época fria, de modo que o pai dela pelo menos ouvisse o pastor-guru e assim deixasse sua filha se agasalhar em paz.

Porém quando falei com o pastor a sua resposta foi que, embora ele não fosse achar ruim dela usar calça, ele não diria isso à igreja, pois se “liberasse” agora teria de “liberar” sempre, depois disse que se as irmãs do passado agüentaram o frio, ela também poderia agüentar…

Esse é um típico exemplo de quando alguém acha o costume tão “bom” que justifica até o sofrimento alheio ao ter de cumpri-lo.
Quando para se cumprir um costume tem de se perder a misericórdia para com os outros tal costume não é bom, é maligno.

“Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.”  (Mateus 12 : 7)

“E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.”  (Mateus 15 : 6)

Além do mais, recebemos de Deus uma consciência para que possamos examinar o que nos convém ou não, de modo que ser obrigado a seguir costumes denominacionais vai contra a liberdade que nos foi dada, sendo algo totalmente retrógrado e imaturo para um cristão.

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?
As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; (Colossenses 2:20-22)