Samurai X e o Deus retalhador

Não matarás. Êxodo 20:13

 

E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela.

E aos outros disse ele, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais.

Matai velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, até exterminá-los; mas a todo o homem que tiver o sinal não vos chegueis; e começai pelo meu santuário. E começaram pelos homens mais velhos que estavam diante da casa.

 

Ezequiel 9:4-6

E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim. Lucas 19:27

 

Nós não deveríamos nos culpar pelas coisas ruins que aconteceram conosco. Algumas vezes, não importa o que façamos, nós somos vítimas das circunstâncias. A gente só deveria ter que sair dessas situações

Kenshin Himura – Rurouni Kenshin (Samurai X)

 

Conheci Rurouni Kenshin (ou andarilho Kenshin, mais conhecido como Samurai X) esse ano através de meu amigo Everton Nucci Fernandes e gostei muito do personagem. Recentemente notei como alguns aspectos de Kenshin Himura ilustram alguns aspectos de Deus.

 

Kenshin Himura é um ex retalhador, alguém que matou muita gente numa guerra(era conhecido como Batousai, o retalhador). Após esse guerra, o Japão ficou em relativa paz e ele decidiu não mais matar, apenas se tornar um andarilho que ajuda pessoas. Ele costuma se chamar a si mesmo de “servo” diversas vezes.

 

Kenshin matava antes por achar que era necessário para que a era onde vive atualmente(a era Meiji) pudesse chegar. Para alcançar essa relativa paz era preciso matar, era preciso guerrear antes. Na era Meiji, muitos remanescentes da era anterior sentiam saudades dos métodos antigos e incitavam Kenshin a continuar a ser um retalhador.

 

Isso se parece com Deus. Deus foi bem violento no Antigo Testamento e isso tudo teve uma razão. Não sei explicar exatamente qual era a razão, mas tudo isso contribuiu para que o homem estivesse evoluído o bastante na época de Cristo para que Ele pudesse vir como servo e ensinar a paz. Não é que Deus tenha mudado, apenas o homem é que mudou e Deus sempre agiu com o homem de acordo com a sua capacidade.

Deus nunca perdeu o controle ou pensou diferente do que foi expresso em Cristo. Apenas Ele age para atingir seus objetivos da forma como é necessária em cada era. Ele não fez compromisso de não matar mais nessa hora, como Kenshin fez, mas não vê mais necessidade de provocar as matanças que provocou outrora. Diferente de Kenshin, que caso causasse uma morte na era Meiji poderia não resistir à tentação de voltar a ser um retalhador, Deus causou mortes no Novo Testamento (Ananias e Safira, por exemplo) e nem por isso voltou a agir como agia no Antigo Testamento.

 

Esse entendimento é importante, visto que muitos não conseguem conciliar as diferentes atitudes de Deus durante as eras e aí pensam que ou Deus mudou, ou o Deus do Antigo Testamento não era Deus (alguns acham que era o diabo) ou então o Deus do Antigo Testamento era real mas as partes onde ele manda matar foram atribuídas falsamente a Ele e eram apenas ordens de Moisés ou outros personagens.

 

Tais pessoas não percebem que assim como Deus matar ou mandar matar é algo chocante, também deveria ser Ele permitir que se mate ou que se sofra, podendo evitar.

 

É claro que Deus ter matado e mandado matar não nos dá o direito de matar também ou de mandar matar.O ensino que Ele nos dá é diferente da forma como Deus pode agir. A morte para Deus é diferente da morte para nós. A nós cabe viver no amor e obedecer os mandamentos como nos foram dados por Cristo, não cabe a nós querer colocar em Deus os mesmos limites que Ele nos dá nem julgá-lo injusto por não viver nos mesmos padrões. Deus ama mesmo matando ou deixando morrer.

 

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.

Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.

Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.

Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.

 

Mateus 5:21-26

 

Feliz natal – Reflexões sobre o filme e a guerra

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agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade […] para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto;Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus;

 

Efésios 2:13-19

 

Sinopse:No Natal de 1914, durante a 1ª Guerra Mundial, soldados franceses, escoceses e alemães abandonam seus rifles nas trincheiras e saem na neve, à noite, para comemorem juntos o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um tenor alemão e sua companheira, uma soprano.

 

Considero o filme Feliz Natal(Joyeux Noël) o melhor filme de guerra que já assisti.

 

O filme todo mostra a guerra como algo terrível, como sendo uma obrigação terrível para os que participaram dela.Nenhum personagem carismático a vê com bons olhos e nem com empolgação.

 

Além da crítica, o milagre da trégua é algo lindo de se ver.No meio de uma guerra desumana ressurge a humanidade de tantos homens.

 

O natal é o que causa essa trégua e une essas diferentes tropas de diferentes nações, o que me fez lembrar da passagem bíblica que cito no inicio desse texto.Mais tarde o padre que apoiou a trégua diz que tentou seguir a Jesus da melhor forma possível, ao apoiar essa união de povos.Sua interpretação dos fatos é diferente da do outro religioso que tenta usar uma outra passagem bíblica de forma distorcida para incentivar uma outra tropa a destruir seus inimigos:

 

Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;

Mateus 10:34

 

O falso profeta afirma que a espada do Senhor estava com os soldados e que eles deveriam destruir o exército do outro povo, pois esses não eram “filhos de Deus” como eles seriam.Usa como argumento que o outro exercito faz coisas terríveis que eles mesmos não fazem.A solução?Fazer as mesmas coisas com eles agora, para que não se levantem mais.

 

Diante disso, o padre que apoiou a trégua deixa seu crucifixo pendurado num lugar e vai embora, simbolizando talvez um abandono de Fé por achar que Jesus pudesse mesmo ter algo a ver com aquela loucura;ou talvez o padre apenas tenha abandonado aquela forma tradicional de crer e tenha decidido andar de forma independente, de acordo com sua consciência.

 

Isso representa bem muito da nossa realidade atual, onde muitos homens distorcem a Bíblia a fim de conseguir lucro ou incutir falsas ideologias na mente das pessoas.Muitos se afastam das igrejas por não conseguirem diferenciar o que Deus realmente diz e o que é distorcido.Outros abandonam o convívio com grupos por entenderem de forma muito diferente dos demais e aí vão viver a sua espiritualidade de forma independente e informal.

 

Num certo momento, um pai conversa sobre o filho sobre a guerra.O pai, que acha a guerra importante e detestou saber da trégua, acha terrível que tenha chegado um tempo em que uma pá tenha valido mais que uma arma (talvez se referindo ao prolongamento da trégua a fim de que as tropas de ambos os lados pudessem enterrar seus mortos).Esse tipo de gente não conseguiria se contentar com o Paraíso:

 

Ele julgará entre muitos povos e resolverá contendas entre nações poderosas e distantes. Das suas espadas, farão arados, e das suas lanças, foices. Nenhuma nação erguerá a espada contra outra, e não aprenderão mais a guerra.

Todo homem poderá sentar-se debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e ninguém os incomodará, pois assim falou o Senhor dos Exércitos.

 

Miquéias 4:3-4