O vazio de todos nós

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photo: SamahR

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus? Salmos 42:2

 

Estendo as minhas mãos para ti; como a terra árida, tenho sede de ti.  Salmos 143:6

 

Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Gênesis 2:18

 

Tem me intrigado bastante a ideia do “vazio” interior que os descrentes teriam ou que todos temos, crendo ou não.Normalmente a ideia do vazio da pessoa sem Deus é utilizada no evangelismo, sendo prometido a ela que se crer em Cristo esse vazio será preenchido e ela nunca mais viverá essa sensação incomoda.O problema é que todo cristão também passa por épocas em que parece ter um “vazio”.

 

Isso leva à questão: “Será que realmente há alguma diferença entre o crente e o descrente nesse aspecto?É honesto prometer que Deus preencherá esse vazio e lhe dará paz, sendo que nós mesmos, crentes, vivemos sentimentos de vazio e conflitos interiores constantemente?Mais que isso, será que a situação do crente não é até pior que a do descrente?”.

 

Aparentemente, o que acontece  é que existem mais de um tipo de “vazio”. Todo ser humano sem Deus tem o vazio de Deus mas não é só isso.Todo ser humano também tem uma necessidade de se relacionar com outros seres humanos e está sujeito a sofrimentos imensos se não consegui-lo satisfatoriamente, ainda que esteja “muito bem com Deus”.

 

Desse modo, é de maior importância de que o homem se reconcilie com Deus a fim de apaziguar a alma e preencher um dos vazios mas ele continua precisando se relacionar com outros seres humanos para estar bem.

 

Com relação ao maior sofrimento que algumas vezes o cristão aparenta ter, isso tem a ver com o nível maior de consciência que o cristão maduro tem, o que faz com que ele seja mais sensível as dores do mundo do que uma descrente alienado da realidade.Se fôssemos medir a quantidade de sofrimento, então talvez o crente realmente sofresse mais, embora também tenha uma estrutura melhor para suportar os sofrimentos comuns a todos do que os que não creem.

 

Acredito que o vazio do ser humano, seja de Deus ou de outros seres é o que sustenta grande parte dos profissionais da psicologia, dos que trabalham com diversão, entre outras coisas.Se o homem se relacionasse satisfatoriamente com Deus e com os homens, provavelmente não precisaria de terapia alguma e nem de fugir da realidade com bebidas, drogas, sexo e outras coisas.

Créditos da foto http://www.flickr.com/photos/27807834@N02/

Das pedras Deus pode suscitar crentes


“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.” (Lucas 3 : 8 )

Quando João disse essas palavras ele estava batizando judeus que pensavam que “ser judeu” os tornava superiores aos outros povos e lhes garantia a salvação independente de arrependimento.João porém afirma que Deus poderia tornar até as pedras em filhos de Abraão, demonstrando que tudo o que o homem tem e é na vida é Graça de Deus e não algo que o homem mereça ou faça por si mesmo. Continue reading

João Batista maltratava pecadores?

 

João Batista pregando

“Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?” (Lucas 3 : 7)

Hoje em dia, muitos se utilizam da pessoa de João batista como desculpa para a forma agressiva como tratam as pessoas, pois, segundo eles, João também agia assim.
Para quem lê o verso acima de forma isolada, pode parecer que realmente João agia assim, porém para quem conhece o NT como um todo, não haveria lógica em agir assim, já que o próprio Jesus não maltratava os pecadores, mas apenas repreendia os que eram hipócritas.
Jesus não aparece repreendendo severamente prostitutas, embora estivesse muitas vezes com elas por perto.

Ele não repreendia assim, pois para ele o pior não era a pessoa ser doente e sim se dizer curada não sendo.
Quem sabe que é pecador não precisa ser maltratada só por isso, mas os hipócritas sim devem ser repreendidos mais severamente.

É mais fácil citar exemplos de Jesus que de João, pois de Jesus há mais relato, mas quem continuar lendo os evangelhos achará na verdade para quem João enviou a ofensa “raça de víboras”

“E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mateus 3 : 7)

Mais do que isso, ele demonstra que a ofensa foi por causa da hipocrisia de se acharem melhores do que os outros pecadores por serem “filhos de Abraão”.

“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;
E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.”(Mateus 3 : 8,9)

Portanto João não maltratava pecadores assumidos e sim pecadores que se consideravam melhores que os outros, principalmente lideres.

A igreja evangélica inverteu isso, deixando salvo de repreensão os lideres e maltratando os pecadores assumidos, as prostitutas, os homossexuais e etc.

Inversão dos valores do evangelho!

Quem assim faz não é como João e sim como os fariseus.

“E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.” (Lucas 15 : 2)

Que Deus nos faça crescer na graça e no entendimento.