“O lugar do sentimento na análise do comportamento” de B.F. Skinner – Análise e Interpretação do texto

Nesse capítulo do livro “Questões Recentes na Análise Comportamental” (1991), o autor e psicólogo Burrhus Frederic Skinner procura esclarecer a posição behaviorista acerca dos sentimentos, já que, para muitos, os behavioristas pareciam ser pessoas sem sentimentos ou que negam os próprios sentimentos.

O behaviorismo é mal interpretado devido à sua insistência em considerar como ciência apenas o que é verificável e deixar de lado a introspecção; Isso não quer dizer, todavia, que o behaviorismo ignora os sentimentos; Eles apenas não gostam de utilizar algo não observável como ciência e também não acreditam que os sentimentos causem um determinado comportamento. Segundo eles, os sentimentos surgem após um evento assim como um comportamento. O sentimento é apenas um estado, uma condição corporal ele não surge do nada e causa o comportamento. Ele e o comportamento são causados por um evento anterior. Por exemplo, uma pessoa perde um ente querido e isso faz com que “sinta-se triste” e chore. O comportamento (chorar) não ocorre devido à tristeza, e sim devido à morte do ente querido.

Se as coisas ocorressem devido a sentimentos, não teríamos como construir uma ciência sobre isso, já que temos tão poucas informações sobre os tais. Após explicar isso, Skinner passa a tentar descrever alguns sentimentos através da ótica behaviorista:

Para Skinner, o amor existe, embora nada mais seja do que uma união de pessoas que reforçam o comportamento uma das outras. Quem ama, pratica gestos amorosos porque encontra na outra pessoa algo que lhe reforça a agir assim. O sexo e outras práticas do amor são comportamentos que costuma trazer consequências reforçadoras, em parte devido a influências hereditárias que persistem por esse tipo de reforço ajudar na evolução e na seleção natural.

Uma pessoa pode amar também objetos, obras de um artista e etc. Ela ama porque os objetos lhe são agradáveis e isso reforça nela os comportamentos do amor, como adquirir objetos, assistir a um show, ver um filme, etc.

É difícil para Skinner aceitar a probabilidade de um amor que não deseje nada em troca. O behaviorismo sempre crerá que há algo reforçando um comportamento, ainda que aquele que pratica o comportamento não o note ou admita.

A ansiedade seria um estado corporal causada por um evento aversivo que aconteceu antes e que aparenta estar prestes a ocorrer novamente. O medo seria parecido, mas se manifestaria havendo certeza de que a consequência aversiva viria (essa “certeza” viria através das inúmeras vezes que isso foi confirmado através de consequências aversivas sucessivas).

Skinner nega que possamos sentir o que outras pessoas sentem ou compartilhar de sua dor. Para ele, no máximo imitamos os comportamentos alheios e experimentamos sentimentos parecidos, mas nunca poderemos dizer que sentimos o mesmo que o outro.

O behaviorista não tem problemas em tratar cientificamente dos sentimentos, ele apenas não os coloca como objeto principal de seus estudos e não procura se aprofundar muito neles. O behaviorismo reconhece os sentimentos e busca entendê-los através de eventos observáveis que tenham relação com eles, ao contrário dos introspectivos que tentam entender o que está dentro buscando ainda mais fundo aquilo que não pode ser observado.

É interessante a quantidade de menções que Skinner faz a Freud nesse texto, dando a impressão de que, embora ele defenda um modo diferente de fazer psicologia, ele acredite que a psicanálise funcione também e que faça bem às pessoas. Se para ele a psicanalise não poderia ser considerada uma ciência, ao menos alguma utilidade nela ele parecia ver (seria só “histórica” como ele diz no fim do texto?).

“A inspeção ou introspecção do próprio corpo é um tipo de comportamento que precisa ser analisado, mas como a fonte de dados para uma ciência é, sem dúvida, apenas de interesse histórico.” (SKINNER, 1991, p.8)

Qualquer um pode notar o quanto os sentimentos estão entranhados na teoria behaviorista. O que seria da consequência aversiva sem a aversão? Como definiríamos reforço positivo ou negativo sem que houvesse algum sentimento atrelado?

O que haveria por trás da busca behaviorista por só trabalhar com o que é observável? Seria uma busca por trabalhar com algo que podem controlar, ao contrário do que está no inconsciente e não pode ser controlado? Seria isso uma fixação na fase anal, conforme a teoria de Freud (FREUD, 1905)?

Será que Skinner, os demais behavioristas e os positivistas em geral poderiam explicar qual foi o comportamento que causou neles esse estado corporal?

Seja qual for a resposta, é inegável que o behaviorismo consegue ir muito longe trabalhando apenas com eventos observáveis. Isso é importante para equilibrar as coisas e não deixar que haja excesso de subjetivismo na psicologia.

 

Referências Bibliográficas

 

SKINNER, B.F. “Questões Recentes na Análise Comportamental” Campinas: Papirus, 1991

Deus não tem que restaurar seu casamento

He is leaving

“Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?”  (I Coríntios 7 : 16)

Um dos temas mais populares desse blog é divórcio e recasamento.Muita gente acha divórcio inaceitável, alegando que quem se divorcia não confia que Deus tenha poder de restaurar o casamento ruim.

Ora, eu acredito que o divórcio (seguido, na maioria das vezes, de outro casamento) seja necessário em muitos casos e acredito também que Deus poderia restaurar qualquer casamento, caso fosse essa sua vontade.

Mas não é.

Não que não fosse a vontade de Deus que todo homem e toda mulher se casassem apenas uma vez e fossem felizes.Ele apenas não força ninguém a isso.

Deus nos dá muitas coisas, entre elas a liberdade.E não dá para nos deixar livres e ao mesmo tempo impor sua Vontade em todo casamento.

Deus pode trabalhar na vida dos envolvidos para que ambos cheguem a conclusão de que devem buscar a cura do relacionamento mas para isso há um limite, que Deus não ultrapassará.

A Bíblia apresenta vários passagens que nos mostram que Deus não restaura todo casamento ruim:

“Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.”  (Mateus 5 : 32)

“Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz.”  (I Coríntios 7 : 15)

Jesus diz que em caso de infidelidade (ou seja qual for a outra tradução melhor para o termo) a pessoa não adulterava se se separasse e casasse de novo.Se Deus realmente estivesse interessado em restaurar todo casamento, porque é que Ele diria isso?Não deveria ele dizer que, mesmo em caso de infidelidade, os dois deveriam ficar juntos à espera da restauração?

Paulo diz que se uma irmã casada com alguém descrente, caso este não a queira mais devido à sua fé, está livre do casamento.Não deveria ele dizer que a irmã deveria permanecer em oração até Deus restaurar seu casamento, salvar seu marido e etc?

Não!A Bíblia não dá essas respostas fantasiosas e ilusórias.
Se você está num casamento ruim, deve se esforçar para salvá-lo e pode pedir ajuda a Deus nisso, mas não deve achar que Deus tem de fazer isso (mesmo que você tenha muita fé).

Casamentos são restaurados muitas vezes, mas nem todas.

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