12 anos de blog e os 12 posts mais visitados

Em Novembro, este blog completou 12 anos de existência. Trago agora uma lista com os posts mais visitados deste período. A maioria se trata de estudos bíblicos, pois grande parte do tempo de existência do blog, apenas postei estudos e opiniões, mas também há posts informativos, como várias listas de horários de ônibus da região de Catanduva, onde moro.Por causa disso, inclusive, os textos de horários de ônibus estão entre os mais acessados do blog.

Grande parte do meu pensamento atual sobre fé, graça e salvação foi influenciado pelo meu pastor favorito, Caio Fábio D’Araújo Filho, por isso grande parte dos textos se assemelham a pensamentos do Caio, embora eu tente escrever com minhas próprias palavras, tornando o texto mais simples e curto para tentar alcançar um maior número de pessoas.

Embora eu goste de compartilhar diretamente conteúdos que acho edificantes (quem me segue nas redes sociais sabe que compartilho muita coisa), também acho importante “traduzir” alguns conteúdos para que mais gente com os mais variados níveis de entendimento possam aproveitar a mesma informação.

Muitos textos tentam responder possíveis perguntas e dúvidas de cristãos. Em parte, esse formato tem a ver com eu ter participado de vários fóruns cristãos da internet e exercitar meu raciocínio neles. Também é uma tentativa de ir direto ao ponto naquilo que algumas pessoas querem saber. Grande parte dos textos tenta apaziguar os corações culpados, assim como eu gostaria de ter tido o meu coração apaziguado quando tinha as mesmas dúvidas (dúvidas sobre se coisas são pecados ou não, sobre costumes, etc.).

Um dos textos inclusive é uma espécie de “checagem de fatos” que fiz muitos anos antes disso virar moda. Confira a lista:

Marina Silva, casamento gay e Silas Malafaia

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Em 2010, Silas Malafaia disse apoiar Marina Silva e mais tarde deixou de apoiá-la para apoiar José Serra. Os motivos para deixar de apoiar Marina foram diversos, entre eles o posicionamento dela sobre aborto (permitir que o povo decidisse sobre o assunto, ao invés de simplesmente descriminalizar ou manter descriminalizado) e por ela não ter dado importância a um projeto de lei que pretendia fazer com que toda biblioteca tivesse uma bíblia.

Marina com relação ao casamento gay defendia o mesmo que defende atualmente (não, ela não mudou de posição) e após as declarações de Malafaia não alterou nada em seu programa e nem prometeu dar atenção a lei das Bíblias nas bibliotecas como forma de agradar o falso pastor.

“Em entrevista para o UOL Eleições, a presidenciável Marina Silva (PV) se disse “não favorável” ao casamento gay e afirmou não ter posição fechada sobre a adoção de filhos por casais homossexuais. A senadora revelou que não irá à Parada Gay, que será realizada em São Paulo no próximo fim de semana.”

http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/01/marina-se-diz-nao-favoravel-ao-casamento-gay-e-propoe-plebiscito-sobre-maconha.jhtm

 

Em 2014, Silas Malafaia mudou de tática.Não fala mais da lei da Bíblia nas bibliotecas, apenas finge se importar com um ponto do programa de Marina que estava diferente do que ela pensava em 2010, o que, se fosse realmente a posição atual dela, demonstraria uma mudança em relação a 2010.

Provavelmente a ameaça que ele faz a ela de que se não mudasse o ponto do programa, ele faria uma declaração a respeito dela tem a ver com a constatação de que o ponto do programa contrariava o que ela dizia anteriormente.Provavelmente se ela não corrigisse o programa ele fosse dizer que ela se tornou menos cristã ou que estava se contradizendo em relação a 2010, talvez até fazendo essa mudança apenas para agradar aos eleitores gays e conseguir seus votos.

Silas provavelmente imaginava que Marina ao perceber o erro o corrigiria (não deixaria de corrigir só para não ser mal interpretada) e aí passaria mais uma vez a imagem de homem influente que tem poder sobre pessoas.

Se a Marina realmente tivesse mudado de convicção ele aproveitaria para se expor como defensor da coerência política e cristã e dos “bons costumes”.

Marina corrige o programa, deixando-o conforme sua opinião de 2010 e muitos entendem que ela retrocedeu devido ao falso pastor, mesmo ela já tendo apresentado a mesma visão em 2010 e demonstrado que não se importa com a visão do pastor .
Acredito que essa interpretação seja fruto de desinformação e/ou preconceito, em parte por ela ser evangélica e declarar isso abertamente.

O Nome da Rosa – Análise e Interpretação do filme

Red rose

photo: alfaneque

Esse filme de ficção, baseado no livro do mesmo nome de Humberto Eco, nos leva a refletir em diversos assuntos como fanatismo vs racionalidade, hipocrisia religiosa, os costumes da Idade Média e o surgimento do pensamento moderno, no período da transição da Idade Média para a Modernidade.

A história se passa num mosteiro do no norte da Itália, no século XIV e o personagem principal é um monge chamado William de Baskerville que traz consigo um noviço chamado Adso. William vai até o mosteiro a fim de participar de um concílio, mas acaba se envolvendo na investigação de um caso de uma série de assassinatos misteriosos que ocorrem no mosteiro durante sua estada lá.

No filme todo vemos o contraste entre as hipóteses mais racionais de William e as hipóteses dos religiosos que insistem em imaginar que os assassinatos estejam ocorrendo através de intervenção diabólica ou por punição divina (chega-se ao ponto de crer que possam estar se cumprindo profecias apocalípticas naquele momento).

Nota-se a hipocrisia religiosa pelo desamparo em que os monges deixam os pobres que moram nos arredores do mosteiro, pela troca de alimentos por sexo que ao menos um pratica com uma moça pobre, pela prática homossexual que existe e é conhecida de todos e pelo modo fácil com que se mata a fim de esconder livros para preservar o poder da igreja, evitar que costumes sejam contrariados e outros motivos.

Numa cena em que alguns personagens inocentes estavam prestes a morrer queimados como punição por supostas heresias Adso declara que o anticristo havia vencido mais uma vez, demonstrando uma crença de que aquilo que acontecia ali era uma antítese do verdadeiro cristianismo, e de que havia nele uma esperança de um cristianismo melhor.

O filme mostra alguns costumes da Igreja Católica da Idade Média como concílios para discutir assuntos teológicos, proibição de risadas e barulhos aos monges, autoflagelações, venda de indulgências e torturas e assassinatos dos supostos hereges.

William tem um método de investigação parecido com o de Sherlock Holmes, personagem de Sir Arthur Conan Doyle: interroga, questiona, duvida e observa pequenos detalhes que a maioria normalmente não presta atenção, percebendo coisas que a maioria não vê e vai juntando peças e formulando sua hipótese sobre qual seja a solução do mistério. Segundo a Wikipédia, seu sobrenome seria uma homenagem a “O Cão dos Baskerville” um dos casos mais famosos de Holmes. Já o nome Adso seria uma referência a Watson, o ajudante de Holmes.

O modo como as mulheres são vistas no filme aparentemente tem a ver mais com tabu sexual do que uma tentativa sincera de obedecer o que está na Bíblia. Até mesmo William parece contaminado com esse tabu ao fazer somente referências bíblicas negativas em relação à mulheres e expressar sua interpretação de que elas possam ter algo de bom como uma opinião pessoal. Ele não se lembrar de referências bíblicas que digam isso deve ter a ver com o fato de que tabus ou outros tipos de pré-interpretações da vida impedem que a pessoa veja objetivamente o que um texto ou outro tipo de conteúdo diz. A mesma dificuldade é observada no momento que William confronta o reverendo Jorge acerca do humor usado pelos santos. Embora Jorge creia nos relatos usados por William, ele não aceita que eles digam algo contrário ao que ele já crê.

William não descrê totalmente na Igreja, ele apenas vê que ela exagera nas suas interpretações e propõe explicações mais simples, mais naturais. Ele tenta equilibrar a fé com a razão, embora diversas vezes pareça ter uma “adoração ao saber”. Isso pode ser notado quando, apesar de toda a sua racionalidade ele demonstra um desprezo pelo amor de uma mulher. Alguém como ele dificilmente teria escolhido o celibato só por causa do costume católico, ele aparenta fazer esse sacrifício (ainda que inconscientemente) por amor a outra divindade psicológica, o saber.

Referências

O NOME DA ROSA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=O_Nome_da_Rosa&oldid=36040382>. Acesso em: 23 jun. 2013.

Texto escrito originalmente para o professor Franco Cossu Jr . Com colaboração de Ana Carolina Maia.