O que a bíblia fala sobre tatuagem?

Na atualidade não é incomum encontrarmos em nosso cotidiano pessoas que apresentem suas peles marcadas por tatuagens, sejam estas pequenas e discretas, ou cobrindo grandes extensões de pele.

Do mesmo modo que estas formas de adorno crescem em popularidade cresce também as discussões a seu respeito. Não é difícil encontrarmos defensores de ambos os lados, os que se põe a favor de seu uso e os contrários.

Independente de motivação ou beleza envolvidas nestas, muitos se questionam a respeito do que os textos bíblicos falam a respeito de sua prática.

Ao procurarmos por toda extensão da bíblia iremos encontrar apenas um versículo específico voltado a esta temática, entretanto quando fazemos a leitura de outros pontos discutidos em seus textos podemos pensar a este respeito a partir de um entendimento cristão.

 

O versículo

O único versículo que apresenta referência quanto a marcação do corpo através de tatuagens se dá por Levítico 19:28, o qual apresenta o seguinte dizer: “Não façam cortes no corpo por causa dos mortos nem tatuagens em vocês mesmos. Eu sou o Senhor”.

Se lermos este trecho com descuido e isolado do restante dos textos provavelmente a conclusão será de que não devemos considerar a realização de tatuagens. Entretanto, compreender um versículo bíblico é buscar também interpreta-lo mediante o contexto no qual foi utilizado.

Estas palavras não foram descritas tendo como base as pessoas da atualidade, ainda que possam ser entendidas enquanto base de conduta. Seu uso foi aplicado voltado ao povo de Israel, sendo utilizado junto a outras proibições, as quais eram propostas com a intenção de separar o povo de Deus de outros povos, os quais faziam uso de tatuagens para demonstrar adoração por seus deuses.

Nos dias atuais essa proibição não faria tanto sentido quanto no período em que foi posta nos textos e tampouco a coloca enquanto pecado, portanto, a compreensão sobre a temática pode partir de outros pontos da bíblia.

Em 1 Coríntios 10:31 encontramos o seguinte dizer: “Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”.

A partir destes dizeres, levanta-se um novo questionamento, não mais se nos é permitido ou não a prática de tatuagens, mas se esta existe enquanto algo positivo diante uma vida cristã, voltada para glorificar ao Senhor.

 

O corpo para Deus

O sujeito que é cristão vive postulando sua postura no que acredita ser o que agrade a Deus, o que, por vezes, é feito através de ensinamentos e regras que facilmente encontramos descritas nos textos bíblicos.

Entretanto, existem casos como a questão relativa às tatuagens, os quais não são discutidos de modo direto, sendo necessário o pensamento reflexivo do sujeito, o qual deve ser postulado no que o Senhor deixou, a fim de chegar a melhor conclusão possível.

Tatuagens são adornos feitos no corpo do homem, o qual é compreendido pela comunidade cristã enquanto um santuário divino e, portanto, deve constantemente ser tratado com zelo.

Em 1 Coríntios 6:19-20 encontramos o seguinte dizer: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de vocês mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo”.

Tendo estes dizeres em mente, questiona-se então se a tatuagem seria uma forma de glorificar ao Senhor ou se esta se postula enquanto uma agressão ao próprio corpo e, por consequente, a Deus.

A esse respeito não existe uma resposta concreta, o caminho a ser tomado neste caso depende unicamente de cada sujeito em particular a depender de seu entendimento de glorificação, de sua própria fé e se considera esta adição ao corpo enquanto algo positivo dentro de sua vida cristã.

Neste sentido, cabe o que é dito em Romanos 14:12-13 “Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não pôr pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão”.

Essa escolha deve ser feita por cada um, sem que este receba julgamentos dos demais pelo caminho escolhido. Pois cada sujeito é singular e, através da vida em Cristo, deve escolher o que compreende como positivo para contemplar sua existência.

Em Romanos 14:16 estão os seguintes dizeres “Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência”, portanto, atrelando-se a esta reflexão, deve-se pensar a tatuagem enquanto símbolo dentro de sua vida particular e como ela articula-se a sua vida em comunhão com o Senhor.

 

A tatuagem e a liberdade de escolha

Em Coríntios 10:23 diz-se “‘Tudo é permitido’, mas nem tudo convém. ‘Tudo é permitido’, mas nem tudo edifica”.

Tendo este trecho enquanto ponto de reflexão pode-se tomar a tatuagem enquanto algo que se é permitido ao sujeito cristão, porém sobre o qual não se tem uma definição quanto a ser algo positivo ou não.

Se, por um lado, ela possa parecer um meio de glorificar à Deus, utilizando-a enquanto homenagem, por outro, pode se relacionar enquanto meio de maus tratos ao templo do Senhor.

Reflita a este respeito com cautela, lembrando-se do que é postulado em Tiago 1:5 “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida”.

É preciso parcimônia para utilizar de sua liberdade de escolha, fazer uso de sua capacidade de reflexão e questionar o quanto fazer tatuagens lhe convém, e trabalha edificando-o diante do Senhor.

(Texto e link de Joana Faria)

 

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