Igreja: Empresa terciária ou de terceiro setor?


photo credit: bourget_82

Anteontem estava no meu curso de administração, quando o professor nos perguntou se a igreja se classificava como empresa terciária (prestação de serviços, visando lucro) ou de terceiro setor (sem fins lucrativos).

Alguns diziam que seria terciária, o professor disse que não, pois igreja não visa lucro, ao que retrucaram citando a Universal.

Aí o professor reafirmou que, excetuando a “igreja” universal, a igreja não é terciária e sim de terceiro setor 😀 .

Não sei se o professor conhece a fundo as “igrejas” da atualidade, mas o exemplo da Universal é apenas um entre vários e nem sempre são tão explícitos assim.

Vou citar mais alguns exemplos de histórias que ouvi sobre A assembleia de Deus ministério Catanduva :

Certo pastor perdeu a igreja que dirigia só porque não quis obedecer a ordem do pastor presidente de vender certa quantidade de pizzas para arrecadar dinheiro sei lá para onde.

Outro pastor, por não estar conseguindo que os irmãos dizimassem mais, foi ameaçado pelo pastor presidente de perder o seu “cargo” também e voltar a cortar cana (profissão que exercia antes).

Para mim está claro que nesses dois casos o que se vê é uma empresa prestadora de serviços que exige dos seus funcionários que cumpram as “metas de produção” sob o risco de perderem o emprego.

“Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.” (I Timóteo 6 : 5)

A igreja verdadeira não é assim, ela aceita doações e até ensina que o que se prega é mais valioso do que aquilo que se oferta, mas não espera lucros em troca do que dá, apenas usa o dinheiro (quando há) para suas necessidades e é capaz de tirar do próprio bolso para que a obra não pare.

“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10 : 8 )

“Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós.” (II Tessalonicenses 3 : 8 )

Respondendo a pergunta inicial, a Igreja bíblica é de terceiro setor, mas as “igrejas” são na maioria terciárias.

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Sobre Roberto Donizeti Soares

Moro em Catiguá, interior de São Paulo. Sou psicólogo formado pelo Instituto de Ensino Superior de Catanduva (IMES Catanduva, antiga FAFICA) e trabalho em Catanduva, na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura. Li a Bíblia algumas vezes e continuo relendo e buscando um maior entendimento. Simpatizo com o movimento Caminho da Graça do pastor Caio Fábio de Araújo Filho. Gosto de teologia, sociologia, psicologia, antropologia, política, livros, filmes, música, gibis, jogos e brinquedos, entre outras coisas.

25 respostas para Igreja: Empresa terciária ou de terceiro setor?

  1. Rap diz:

    Em maioria? Creio que todas heheheeh

    Boa análise… o pensamento ambicioso humano se sobrepôs a piedade divina…

  2. Roberto diz:

    Disse maioria porque algumas mesmo não tendo nada (ou quase) de bíblico, podem não ser ambiciosas .
    Sempre há uma possibilidade, embora pessoalmente eu concorde contigo. 😀

  3. GESTÃO AMADORA, TERCEIRO SECTOR

    É esta a primeira reflexão que surge no blogue sobre marketing e gestão de organizações não-lucrativas, criado por Charles Bulhões. No Brasil, cá e noutros sítios, o problema é comum: «O grande desafio hoje, dentro do ambiente volátil e competitivo que o terceiro sector está se tornando, é gerir seus agentes de forma profissional. Uma vez que quase todos eles surgem do amadorismo (ideológico) social, totalmente carente de mecanismo e ferramentas de gestão organizacional. A evolução do terceiro sector deu-se, pela falência das políticas públicas que propiciou um enorme lacuna social que vem sendo preenchida por organizações de esfera heterogênia de estrutura organizacional, muitas vezes denominadas de Non-profits. Outro factor propulsor são as acções de responsabilidade social, onde as organizações dos outros dois sectores desenvolvem patrocínio as acções desenvolvidas pelos agentes do terceiro sector. Por motivos como os citados acima questiono se há espaço ainda para práticas de gestão amadora dentro do terceiro sector actual, dentro dessa hiper-concorrência e oportunidade?

    BLOG MARKETING & GESTÃO NON-PROFITS
    http://mktnonprofits.blogspot.com/

  4. WILSON diz:

    Vejo que tens uma opinião segura em relação a palavra de Deus e as igrejas.
    Também concordo que a maioria das Igrejas são terciárias, e agora mais ainda, depois que vi um video do Pastor Silas Malafaia ensinando como adquirir bençãos materias atraves dos dizimos e das ofertas.
    Sei que dízimos não tem fundamento algum para os dias de hoje, nem é por dar dízimos altos e ofertas que seremos salvos. Mas os pastores tendem a nos ameaçar com pegações fanáticas tipo “em que me roubais o homem, nos dízimos e nas ofertas alçadas” sendo que essa repreensão é dirigida diretamente para eles mesmos os administradores do tesouro.

  5. Caro Roberto Soares;

    Achei bastante interessante a dúvida suscitada no post exposto em seu blog ao questionar se uma igreja é uma empresa de prestação de serviços terceirizada ou uma entidade pertencente ao terceiro setor.
    Não vou adentrar às questões de fé, mas me posiciono através deste comentário a partir de uma análise iminentemente jurídica.
    A igreja não pode ser considerada uma empresa pelo simples fato de que as empresas, independentemente do ramo ou área de atuação, são constitídas com um único propósito, o de obter e distribuir lucros entre os sócios.
    As empresas são constituídas por um número limitado e fechado de sócios que, em regra, investem valores em pecúnia ou bens móveis e imóveis para a consecução dos objetivos da empresa. O documento que gera o vínculo jurídico entre os sócios é o contrato social, documento este que é registrado e arquivado na Junta Comercial da região onde a empresa tiver sua sede.
    Na empresa os sócios possuem vínculo jurídico em relação à empresa e também de uns em relação aos outros.
    Já a igreja se constitui inicialmente como uma associação simples. Como associação simples os associados não possuem vínculo jurídico uns em relação aos aoutros e não respondem nem mesmo solidariamente pelas obrigações contraídas pela associação/igreja.
    A associação passa a ter existência jurídica a partir de seu registro no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. O documento de natureza contratual que lhe dá a estrutura chama-se estatuto e contém suas regras jurídicas e convencionais.
    Peço escusas aos que eventualmente puderem ter opiniâo contrária, mas a igreja não é empresa, mas também não pertence ao terceiro setor.
    Pode-se com isso afirmar que todas as entidades do terceiro setor são associações ou fundações, embora nem todas as associaçôes estão inseridas no que se convencionou chamar de terceiro setor.
    A associação simples visam basicamente trazer com sua operação benefícios e vantagens a um número certo e determinado de pessoas, chamados associados, e, fiéis, no caso das igrejas, enquanto que as entidades do terceiro setor direcionam seus trabalhos para o público em geral. Normalmente os usuários de seus serviços (projetos sociais) são chamados beneficiários, independente do número de associados, que são as pessoas que contribuem com a entidade para a persecução de seus objetivos sociais.
    Contudo, nada impede que uma igreja, independente da religião professada, possa organizar e desenvolver trabalhos de cunho filantrópico e de assistência social direcionada ao público em geral. Será esta a única condição para que esta possa ser considerada como pertencente ao terceiro setor.
    Em resumo: As igrejas são associações simples quando os trabalhos por ela desenvolvidos possuem um viés ideológico voltado única e exclusivamente às questões religiosas.
    Já o caso de igrejas que se preocupam quase que exclusivamente com a arrecadação através de dízimos e outras formas de doação de recursos, estes não podem ser considerados como persecução ou obtenção de lucro, vez que legalmente tais entradas de capital são consideradas meras doações, o que não desnatura a questão da finalidade não lucrativa.
    Caso em meio às atividades religiosas estas prestarem serviços de natureza filantrópica e ou assistência social aos carentes (público em geral), de forma gratuíta, e sem nenhum vínculo religioso, poderão ser consideradas como entidades do terceiro setor.
    Definitivamente a igreja não é e nem pode ser considerada como empresa, independente da forma de atuar de seus dirigentes.
    O que passa disso é uma questão de fé, de moral e de ética.

    Agradeço a oportunidade de manifestação;

    Jairo Macedo Sierra
    Advogado especialista em terceiro setor e associativismo.
    Membro da Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB/SP.
    Membro do Instituto Brasileiro de Advogados do Terceiro Setor.
    E-mail: jmacedosierra@ig.com.br
    Acesse : Associações

  6. WAGNER diz:

    SEM DÙVIDA, EU CREIO QUE A GRANDE MAIORIA DAS IGREJAS SÃO EMPRESAS. UM ABRAÇÃO!

  7. Bianca diz:

    Em partes tenho que concordar. Infelizmente os homens tem se esquecido de amar sem interesses e invertido os objetivos da igreja de Cristo. Mas gostaria de falar para os que creem na palavra de Deus (não para os que duvidam dela, ou que não acreditam em nada).
    Conheço muitas igrejas, e conheço homens maus que se denominam justos, mas que não tem verdadeiro amor a seus irmãos e a Deus e por isso vemos algumas igrejas envergolharem o evangelho como ocorre hoje.
    No entanto, conheço igrejas tanto grandes como pequenas, que ainda possuem grandemente na sua essência o amor e o temor a Deus.
    As igrejas não podem viver sem recursos, assim como uma casa pequena precisa deles para se manter, ocorre também com a igreja, que muitas vezes passam o dia aberta e como alguns dos colegas disseram acima seus lideres tiram do próprio bolso o sustento da mesma.
    O fato dos irmãos que frequentam a igreja doarem, já vem desde o tempo da igreja primitiva. Aos que não conhecem a história, o livro de Atos da Bíblia relata que dos mais simples aos mais ricos ajudavam com amor a manter a igreja (não falo só da conservação da estrutura(visto que antigamente os irmãos se reuniam nas casas uns dos outros, escondidos devido a perseguição), mas também da ajuda aos mais pobres e dos que estavam a frente levando o evangelho para as pessoas. Quanto ao dízimo (isso falo para os que creem), é bíblico!!! Mas ainda assim, ninguém é forçado a dar, cada um dá conforme o seu coração e suas possibilidades.

    Mas sei que vcs compreendem como futuros administradores, que ninguém administra nada sem recursos. Ou estou errada? Acho que não, e para os que acreditam que as igrejas são máquinas capitalistas, não posso discordar totalmente, visto que é explícito o comportamento infeliz de algumas denominações.
    Mas gostariam que nas críticas das pessoas quando se referem a IGREJA, vissem o papel da igreja na nossa sociedade, que atualmente nos dias em que vivemos tem sido a saída, libertação de vícios e a alegria de pessoas que um dia estiveram sem rumo. E caso vcs queiram saber o otivo pelo qual os cristãos fazem questão de dizimar, leiam a bíblia. Deus nos dá além do que imaginamos.

    p.s. Leiam a bíblia, inicie pelos evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e Joãoé lindo e verdadeiro. A palavra de Deus é luz para os que creem.

    Até a próxima !

    Mas ainda creio que exitem igrejas que acima de tudo temem e amam a Deus.

  8. João diz:

    Concordo com a Bianca. Vocês não podem fazer comentários enviesados e sem conhecimento. A Palavra de Deus é a Verdade, isso ninguém pode contestar. Porém existem dois lados de uma mesma mensagem: o lado de quem prega e o lado de quem ouve.

    De fato, a Bíblia fala que o homem de Deus que não dá dízimos e ofertas está roubando a Deus. As pessoas acham isso um absurdo, pois param por aí e não entendem a bênção que é dizimar e ofertar. Deus abre as janelas dos céus aos homens que investem no Reino de Deus. Este é um dos princípios básicos da Palavra. Não é uma questão de pastores que enganam pessoas com essa Palavra, mas sim uma Verdade! É preferível 90% do dinheiro abençoado, do que 100% amaldiçoado. Investir no Reino é retorno garantido, e pelo próprio Deus! Não adianta o quanto o homem tenha dinheiro e trabalhe honestamente por ele, se Deus não abençoa suas finanças, seu dinheiro pode estar saindo pelo ralo! Isso é um princípio de Deus.

    Por outro, se homens usam essa Palavra com segundas intenções, ou seja, não para que pessoas sejam abençoadas, mas para benefício próprio, ou extorsão, realmente, estes homens são o próprio diabo!

    Cuidado! Não se baseiem na Igreja Universal ou homens desonestos, são apenas maus exemplo expressivos, que parte da mídia e algumas pessoas com paixão pela crítica aos crentes gostam de expor! Existem outras milhares de igrejas honestas, autênticas e íntegras, tanto no Brasil quanto ao redor do mundo! Por que vocês não as conhecem ao invés de se basear no que ouvem, ou uma má experiência que tiveram? Certamente não se arrependeriam e seriam tremendamente abençoados!

  9. Joao diz:

    Negativo, meu caro, no capítulo 3, Deus fala a todo povo. Somente no capítulo 2 Deus fala aos sacerdotes.

    Mal 3:6 Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.

    Note que Deus fala aos “filhos de Jacó” novamente.

    Preste bem atenção no que vc lê e irá perceber facilmente.

  10. Ainda que Deus tenha dito ao povo de Israel que eles o roubavam por dar o dízimo, não é correto dizer que a Bíblia diga que todos os outros povos e mesmo os judeus que creram em Cristo também estejam roubando a Deus se não o fizerem.

  11. Joao diz:

    Na verdade, ele O roubavam por não dar o dízimo e não por dar. E se você crê q o que está sendo dito aqui em Malaquias não se aplica aos crentes hoje, é melhor encerrarmos por aqui. Pois eu não sei quanto à vc, mas eu sim faço parte do povo de Deus, daqueles enxertados na videira e filhos por adoção pela fé. Cuidado, meu caro, você não está aceitando argumentos válidos e isso é uma questão complicada p você. Deus está te dando uma chance p se concertar, se eu fosse você, aceitava com humildade.

  12. Eu também faço parte do povo de Deus, mas não vivo debaixo da mesma lei sobre a qual os judeus estavam naquela época.O que salva tanto judeus quanto pagãos é Cristo e não a Lei de Moisés.Eu aceito que você possa estar certo sobre a nação (país) toda ser considerada como ladra na época, mas não vejo mais argumentos válidos que eu possa estar contrariando.

  13. Joao diz:

    Aí q você se engana! O dízimo não é da Lei, não foi dado por Moisés, mas instituído em Abraão, bem antes de Moisés e das Leis. E Jesus não invalidou a santificação de suas finanças, muito pelo contrário. Em Mateus 22:21 Ele está falando de finanças quando diz p dar a Deus o q é dEle.

    • Abraão Deu o dízimo mas não instituiu nada.Só se chamou o povo(ou os sacerdotes) de ladrões porque naquela época o dízimo era lei.Abraão deu sem lei, Jacó também, mas só se tornou obrigatório na lei de Moisés, até a vinda de Cristo.Eu não nego que devamos doar sem avareza, isso é mandamento do NT, mas não há no NT qualquer quantia fixa estipulada.

  14. Joao diz:

    Bom, amigão, acho que você não quer entender mesmo. Oferta é uma coisa, dízimos são outras, princípios diferentes. Não é uma questão de Lei, mas de princípio. A oferta segue o princípio da semeadura, o dízimo faz com que haja mantimento na Casa de Deus e o devorador seja repreendido. Uma vez o princípio revelado foi em Abraão, tanto da fé, quanto dos dízimos. É imaturidade do crente pensar hoje na graça em termos de Leis e ordenanças, como você está passando. Pois alguém que pensa assim não conhece o padrão de Deus e não sabe viver como filho de Deus, ou seja, alguém que pense como o Pai. Eu não teria como passar por tudo o que o sangue de Cristo sobrepujou aqui com você, levaria muito tempo, mas acredito que você precisa se deixar ser pastoreado por alguém e aprender isso. Vejo que você está num caminho muito perigoso, usando a graça como pretexto para ignorar os princípios de Deus, deixando a ganância de achar que poderia fazer o que quisesse com seu dinheiro leva-lo por esse caminho. Depois leia Romanos 6, se quiser, principalmente o v. 15. Isso é só um alerta, não te conheço, mas se eu fosse você eu consideraria essas palavras, acredito que não estou escrevendo aqui por acaso.

    • Romanos 6 fala de coisas que estão claras tanto no AT quanto no NT.Não é o caso do dízimo.O dízimo é daquelas leis que se pode quebrar sem pecar.Quem deixa de dar exatamente 10% não está necessariamente pecando.Varia de pessoa para pessoa que porcentagem deve dar.

  15. Joao diz:

    Bom, amigo, se Romanos 6 não tem clareza para você, encerro por aqui.

  16. A fronteira é complexa mas a meu ver, para ser considerada como terceiro setor, que a organização possua caráter social e humanístico. Se uma igreja se vê dessa forma e leva isso para a prática, tá valendo.
    Infelizmente a maioria das igrejas possuem caráter restritamente religioso sem contribuírem positivamente para a sociedade. E muitas vezes o próprio caráter religioso é apenas uma fachada para fins lucrativos.

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