O Nome da Rosa – Análise e Interpretação do filme

Red rose

photo: alfaneque

Esse filme de ficção, baseado no livro do mesmo nome de Humberto Eco, nos leva a refletir em diversos assuntos como fanatismo vs racionalidade, hipocrisia religiosa, os costumes da Idade Média e o surgimento do pensamento moderno, no período da transição da Idade Média para a Modernidade.

A história se passa num mosteiro do no norte da Itália, no século XIV e o personagem principal é um monge chamado William de Baskerville que traz consigo um noviço chamado Adso. William vai até o mosteiro a fim de participar de um concílio, mas acaba se envolvendo na investigação de um caso de uma série de assassinatos misteriosos que ocorrem no mosteiro durante sua estada lá.

No filme todo vemos o contraste entre as hipóteses mais racionais de William e as hipóteses dos religiosos que insistem em imaginar que os assassinatos estejam ocorrendo através de intervenção diabólica ou por punição divina (chega-se ao ponto de crer que possam estar se cumprindo profecias apocalípticas naquele momento).

Nota-se a hipocrisia religiosa pelo desamparo em que os monges deixam os pobres que moram nos arredores do mosteiro, pela troca de alimentos por sexo que ao menos um pratica com uma moça pobre, pela prática homossexual que existe e é conhecida de todos e pelo modo fácil com que se mata a fim de esconder livros para preservar o poder da igreja, evitar que costumes sejam contrariados e outros motivos.

Numa cena em que alguns personagens inocentes estavam prestes a morrer queimados como punição por supostas heresias Adso declara que o anticristo havia vencido mais uma vez, demonstrando uma crença de que aquilo que acontecia ali era uma antítese do verdadeiro cristianismo, e de que havia nele uma esperança de um cristianismo melhor.

O filme mostra alguns costumes da Igreja Católica da Idade Média como concílios para discutir assuntos teológicos, proibição de risadas e barulhos aos monges, autoflagelações, venda de indulgências e torturas e assassinatos dos supostos hereges.

William tem um método de investigação parecido com o de Sherlock Holmes, personagem de Sir Arthur Conan Doyle: interroga, questiona, duvida e observa pequenos detalhes que a maioria normalmente não presta atenção, percebendo coisas que a maioria não vê e vai juntando peças e formulando sua hipótese sobre qual seja a solução do mistério. Segundo a Wikipédia, seu sobrenome seria uma homenagem a “O Cão dos Baskerville” um dos casos mais famosos de Holmes. Já o nome Adso seria uma referência a Watson, o ajudante de Holmes.

O modo como as mulheres são vistas no filme aparentemente tem a ver mais com tabu sexual do que uma tentativa sincera de obedecer o que está na Bíblia. Até mesmo William parece contaminado com esse tabu ao fazer somente referências bíblicas negativas em relação à mulheres e expressar sua interpretação de que elas possam ter algo de bom como uma opinião pessoal. Ele não se lembrar de referências bíblicas que digam isso deve ter a ver com o fato de que tabus ou outros tipos de pré-interpretações da vida impedem que a pessoa veja objetivamente o que um texto ou outro tipo de conteúdo diz. A mesma dificuldade é observada no momento que William confronta o reverendo Jorge acerca do humor usado pelos santos. Embora Jorge creia nos relatos usados por William, ele não aceita que eles digam algo contrário ao que ele já crê.

William não descrê totalmente na Igreja, ele apenas vê que ela exagera nas suas interpretações e propõe explicações mais simples, mais naturais. Ele tenta equilibrar a fé com a razão, embora diversas vezes pareça ter uma “adoração ao saber”. Isso pode ser notado quando, apesar de toda a sua racionalidade ele demonstra um desprezo pelo amor de uma mulher. Alguém como ele dificilmente teria escolhido o celibato só por causa do costume católico, ele aparenta fazer esse sacrifício (ainda que inconscientemente) por amor a outra divindade psicológica, o saber.

Referências

O NOME DA ROSA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=O_Nome_da_Rosa&oldid=36040382>. Acesso em: 23 jun. 2013.

Texto escrito originalmente para o professor Franco Cossu Jr . Com colaboração de Ana Carolina Maia.

“O lugar do sentimento na análise do comportamento” de B.F. Skinner – Análise e Interpretação do texto

Nesse capítulo do livro “Questões Recentes na Análise Comportamental” (1991), o autor e psicólogo Burrhus Frederic Skinner procura esclarecer a posição behaviorista acerca dos sentimentos, já que, para muitos, os behavioristas pareciam ser pessoas sem sentimentos ou que negam os próprios sentimentos.

O behaviorismo é mal interpretado devido à sua insistência em considerar como ciência apenas o que é verificável e deixar de lado a introspecção; Isso não quer dizer, todavia, que o behaviorismo ignora os sentimentos; Eles apenas não gostam de utilizar algo não observável como ciência e também não acreditam que os sentimentos causem um determinado comportamento. Segundo eles, os sentimentos surgem após um evento assim como um comportamento. O sentimento é apenas um estado, uma condição corporal ele não surge do nada e causa o comportamento. Ele e o comportamento são causados por um evento anterior. Por exemplo, uma pessoa perde um ente querido e isso faz com que “sinta-se triste” e chore. O comportamento (chorar) não ocorre devido à tristeza, e sim devido à morte do ente querido.

Se as coisas ocorressem devido a sentimentos, não teríamos como construir uma ciência sobre isso, já que temos tão poucas informações sobre os tais. Após explicar isso, Skinner passa a tentar descrever alguns sentimentos através da ótica behaviorista:

Para Skinner, o amor existe, embora nada mais seja do que uma união de pessoas que reforçam o comportamento uma das outras. Quem ama, pratica gestos amorosos porque encontra na outra pessoa algo que lhe reforça a agir assim. O sexo e outras práticas do amor são comportamentos que costuma trazer consequências reforçadoras, em parte devido a influências hereditárias que persistem por esse tipo de reforço ajudar na evolução e na seleção natural.

Uma pessoa pode amar também objetos, obras de um artista e etc. Ela ama porque os objetos lhe são agradáveis e isso reforça nela os comportamentos do amor, como adquirir objetos, assistir a um show, ver um filme, etc.

É difícil para Skinner aceitar a probabilidade de um amor que não deseje nada em troca. O behaviorismo sempre crerá que há algo reforçando um comportamento, ainda que aquele que pratica o comportamento não o note ou admita.

A ansiedade seria um estado corporal causada por um evento aversivo que aconteceu antes e que aparenta estar prestes a ocorrer novamente. O medo seria parecido, mas se manifestaria havendo certeza de que a consequência aversiva viria (essa “certeza” viria através das inúmeras vezes que isso foi confirmado através de consequências aversivas sucessivas).

Skinner nega que possamos sentir o que outras pessoas sentem ou compartilhar de sua dor. Para ele, no máximo imitamos os comportamentos alheios e experimentamos sentimentos parecidos, mas nunca poderemos dizer que sentimos o mesmo que o outro.

O behaviorista não tem problemas em tratar cientificamente dos sentimentos, ele apenas não os coloca como objeto principal de seus estudos e não procura se aprofundar muito neles. O behaviorismo reconhece os sentimentos e busca entendê-los através de eventos observáveis que tenham relação com eles, ao contrário dos introspectivos que tentam entender o que está dentro buscando ainda mais fundo aquilo que não pode ser observado.

É interessante a quantidade de menções que Skinner faz a Freud nesse texto, dando a impressão de que, embora ele defenda um modo diferente de fazer psicologia, ele acredite que a psicanálise funcione também e que faça bem às pessoas. Se para ele a psicanalise não poderia ser considerada uma ciência, ao menos alguma utilidade nela ele parecia ver (seria só “histórica” como ele diz no fim do texto?).

“A inspeção ou introspecção do próprio corpo é um tipo de comportamento que precisa ser analisado, mas como a fonte de dados para uma ciência é, sem dúvida, apenas de interesse histórico.” (SKINNER, 1991, p.8)

Qualquer um pode notar o quanto os sentimentos estão entranhados na teoria behaviorista. O que seria da consequência aversiva sem a aversão? Como definiríamos reforço positivo ou negativo sem que houvesse algum sentimento atrelado?

O que haveria por trás da busca behaviorista por só trabalhar com o que é observável? Seria uma busca por trabalhar com algo que podem controlar, ao contrário do que está no inconsciente e não pode ser controlado? Seria isso uma fixação na fase anal, conforme a teoria de Freud (FREUD, 1905)?

Será que Skinner, os demais behavioristas e os positivistas em geral poderiam explicar qual foi o comportamento que causou neles esse estado corporal?

Seja qual for a resposta, é inegável que o behaviorismo consegue ir muito longe trabalhando apenas com eventos observáveis. Isso é importante para equilibrar as coisas e não deixar que haja excesso de subjetivismo na psicologia.

 

Referências Bibliográficas

 

SKINNER, B.F. “Questões Recentes na Análise Comportamental” Campinas: Papirus, 1991

Fala Malafaia acaba sem apelação

“Mesmo atingindo altos índices de audiência nas tardes de domingo na Band, o programa Fala Malafaia pode deixar de ser exibido a partir de novembro.

O altíssimo custo para mantê-lo no ar poderia comprometer o orçamento da Associação Vitória em Cristo, que tem como prioridades a pregação do evangelho, através do programa Vitória em Cristo, no Brasil e no exterior, e as obras sociais que estão transformando vidas.

Fonte:http://www.verdadegospel.com/apesar-do-sucesso-fala-malafaia-podera-sair-do-ar/”

 

Eu nunca assisti a nenhum episódio do Fala Malafaia, mas li sobre ele e ouvi falar que era um programa estilo “Papo de Graça” do pastor Caio Fábio de Araújo Filho.

 

Pelo que me falavam, parecia ser mais interessante que o Vitória em Cristo, além de contrariar abertamente alguns usos e costumes da Assembléia de Deus e de outras igrejas.

 

Independentemente disso, o programa acabou, supostamente por falta de dinheiro e não se fez nenhum pedido doidão de dinheiro para que se pudesse mantê-lo no ar.

 

Eu imagino que, fazendo sucesso ou não, o Silas não teve interesse em mantê-lo no ar, pois parece ter desistido muito fácil.

 

No vídeo contido no link da notícia, Silas diz que o programa acabaria, a menos que houvesse um milagre.Caso contrário, ele continuaria só com os outros programas, pois teriam prioridade e ele não ia querer manter algo que não teria dinheiro para pagar.

 

Gostei da declaração dele pois é de um realismo raro entre tele-evangelistas.Normalmente se chora, se mente e se faz de tudo para conseguir dinheiro para uma “causa”(isso quando a causa realmente precisa e não é só um meio de pedir dinheiro para algo fora da causa).

 

Ele não diz que o programa não tenha valor mas também não insiste, já que o dinheiro não dá.

 

A mesma lógica todo pregador pode aplicar.Se o dinheiro não dá para manter um templo, um programa de rádio ou de TV, então desista.Nada justifica mentir, inventando bênçãos especiais que Deus daria para quem der um certo valor que não pode dar.

 

Não se justifica falar do dízimo como algo obrigatório na graça apenas porque se precisa do dinheiro para manter as obras.Se naturalmente e sem mentiras o dinheiro não vem, desistamos, oras!

Dinheiro pode ajudar na divulgação do Evangelho, mas é possível pregar o Evangelho mesmo sem dinheiro algum.O alcance é menor, mas é melhor alcançar poucos com honestidade do que muitos usando mentiras.