Saul: um exemplo de ungido corrompido

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Então veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo:

Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras.

Então Samuel se contristou, e toda a noite clamou ao Senhor.

1 Samuel 15:10-11

 

Saul costuma ser visto como um exemplo de pessoa escolhida por Deus (ungida) que mesmo cometendo muitos erros continua sobre uma proteção especial de Deus de modo que não pode ser atacada, contrariada e nem repreendida.Essa é uma interpretação falsa, visto que o próprio Deus nunca disse que Saul seria alguém que não deveria ter oposição jamais, muito menos depois de sua desobediência, e Davi apenas creu que não poderia ferir ou matar a Saul (não fica claro se essa crença veio de Deus) mas não deixou de repreendê-lo e desobedecê-lo sem receber da parte de Deus repreensão por isso.

Aqueles que tentam se proteger atrás de Saul, grande parte das vezes são como ele em seus defeitos.Saul foi um exemplo de líder corrupto.Os erros de Saul não foram como os de Sansão que não trouxeram sobre ele nenhuma repreensão diretamente da parte de Deus mas foram erros muito piores, chegando ao ponto de Deus repreender-lhe verbalmente e abandoná-lo colocando outro em seu lugar.Davi teve muitos defeitos e recebeu repreensões, mas nunca chegou ao estado em que Saul chegou.

Por que, pois, não deste ouvidos à voz do Senhor, antes te lançaste ao despojo, e fizeste o que parecia mau aos olhos do Senhor?

1 Samuel 15:19

 

Saul, assim como alguns que se denominam ungidos hoje, era ganancioso, populista e mentiroso.Ao executar uma ordem de Deus não a cumpriu totalmente porque cobiçou (ou cedeu à cobiça dos soldados) não destruindo tudo o que devia ser destruído.Ao ser confrontado, afirmou que não obedeceu porque usaria o objeto de cobiça para a “glória de Deus”(para oferecer em sacrifício ).Mais tarde admitiu ter mentido e afirmou tê-lo feito por medo da reação dos soldados.

Saul também não queria o bem de Deus, o bem do povo, ele queria era continuar no poder custasse o que custasse.Tanto é que ele se opôs a Davi (outro “ungido”, embora mais sincero).Opôs-se à vontade de Deus e ao seu novo escolhido para tentar se manter no poder.

Saul não se empenhou na obediência a Deus mas se empenhou em fazer o mal movido por seu egoísmo enorme.Tentou destruir a obra de Deus para estabelecer a sua caricatura de Reino de Deus.Que nunca nos tornemos um Saul moderno.

O Nome da Rosa – Análise e Interpretação do filme

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Esse filme de ficção, baseado no livro do mesmo nome de Humberto Eco, nos leva a refletir em diversos assuntos como fanatismo vs racionalidade, hipocrisia religiosa, os costumes da Idade Média e o surgimento do pensamento moderno, no período da transição da Idade Média para a Modernidade.

A história se passa num mosteiro do no norte da Itália, no século XIV e o personagem principal é um monge chamado William de Baskerville que traz consigo um noviço chamado Adso. William vai até o mosteiro a fim de participar de um concílio, mas acaba se envolvendo na investigação de um caso de uma série de assassinatos misteriosos que ocorrem no mosteiro durante sua estada lá.

No filme todo vemos o contraste entre as hipóteses mais racionais de William e as hipóteses dos religiosos que insistem em imaginar que os assassinatos estejam ocorrendo através de intervenção diabólica ou por punição divina (chega-se ao ponto de crer que possam estar se cumprindo profecias apocalípticas naquele momento).

Nota-se a hipocrisia religiosa pelo desamparo em que os monges deixam os pobres que moram nos arredores do mosteiro, pela troca de alimentos por sexo que ao menos um pratica com uma moça pobre, pela prática homossexual que existe e é conhecida de todos e pelo modo fácil com que se mata a fim de esconder livros para preservar o poder da igreja, evitar que costumes sejam contrariados e outros motivos.

Numa cena em que alguns personagens inocentes estavam prestes a morrer queimados como punição por supostas heresias Adso declara que o anticristo havia vencido mais uma vez, demonstrando uma crença de que aquilo que acontecia ali era uma antítese do verdadeiro cristianismo, e de que havia nele uma esperança de um cristianismo melhor.

O filme mostra alguns costumes da Igreja Católica da Idade Média como concílios para discutir assuntos teológicos, proibição de risadas e barulhos aos monges, autoflagelações, venda de indulgências e torturas e assassinatos dos supostos hereges.

William tem um método de investigação parecido com o de Sherlock Holmes, personagem de Sir Arthur Conan Doyle: interroga, questiona, duvida e observa pequenos detalhes que a maioria normalmente não presta atenção, percebendo coisas que a maioria não vê e vai juntando peças e formulando sua hipótese sobre qual seja a solução do mistério. Segundo a Wikipédia, seu sobrenome seria uma homenagem a “O Cão dos Baskerville” um dos casos mais famosos de Holmes. Já o nome Adso seria uma referência a Watson, o ajudante de Holmes.

O modo como as mulheres são vistas no filme aparentemente tem a ver mais com tabu sexual do que uma tentativa sincera de obedecer o que está na Bíblia. Até mesmo William parece contaminado com esse tabu ao fazer somente referências bíblicas negativas em relação à mulheres e expressar sua interpretação de que elas possam ter algo de bom como uma opinião pessoal. Ele não se lembrar de referências bíblicas que digam isso deve ter a ver com o fato de que tabus ou outros tipos de pré-interpretações da vida impedem que a pessoa veja objetivamente o que um texto ou outro tipo de conteúdo diz. A mesma dificuldade é observada no momento que William confronta o reverendo Jorge acerca do humor usado pelos santos. Embora Jorge creia nos relatos usados por William, ele não aceita que eles digam algo contrário ao que ele já crê.

William não descrê totalmente na Igreja, ele apenas vê que ela exagera nas suas interpretações e propõe explicações mais simples, mais naturais. Ele tenta equilibrar a fé com a razão, embora diversas vezes pareça ter uma “adoração ao saber”. Isso pode ser notado quando, apesar de toda a sua racionalidade ele demonstra um desprezo pelo amor de uma mulher. Alguém como ele dificilmente teria escolhido o celibato só por causa do costume católico, ele aparenta fazer esse sacrifício (ainda que inconscientemente) por amor a outra divindade psicológica, o saber.

Referências

O NOME DA ROSA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=O_Nome_da_Rosa&oldid=36040382>. Acesso em: 23 jun. 2013.

Texto escrito originalmente para o professor Franco Cossu Jr . Com colaboração de Ana Carolina Maia.