Cristo salva até no inferno

Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus;

mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;

No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;

Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca;

na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água;(1ª Pedro 3:18:20)

The Gate To Hell

The Gate To Hell por inottawa, no Flickr

Até algum tempo atrás essa passagem bíblica me parecia algo desconexo, algo que devia ter acontecido apenas uma vez e que não acrescentava nada para nossas vidas.

Porém hoje em dia ela faz mais sentido para mim, principalmente depois que eu ouvi a pregação de Caio Fábio baseado na primeira epístola de Pedro capítulos 3 e 4.

A passagem diz que Cristo foi pregar a espíritos que estavam presos, provavelmente no inferno, por terem sido rebeldes mesmo Deus sendo benigno com eles e lhes dando chance de se salvar enquanto vivos.

Isso mesmo: Cristo pregando a pessoas rebeldes que haviam morrido no dilúvio(e portanto já haviam passado pelo juízo segundo Hebreus 9:27).

Isso demonstra que o inferno não tem de ser o fim das oportunidades de salvação, pois mesmo ali Jesus ainda prega e pessoas podem ser salvas.

É claro que é melhor escolher o caminho mais fácil(os versos anteriores de 1ª Pedro capítulo 3 afirmam isso insistentemente) e andar pela fé,evitando ter de passar por tantas dores que a rebeldia traz consigo(no caso dos rebeldes dos tempos de Noé, eles tiveram de passar pelo afogamento e por um tempo no inferno) mas é maravilhoso saber que mesmo no inferno ainda há esperança.

“Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito;”  (I Pedro 4 : 6)

O crente não aproveita a vida?

enjoylife.
Creative Commons License photo credit: quite charmed

“Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.” (Mateus 10 : 39)

Já ouvi alguns testemunhos de pessoas que dizem ter abandonado “coisas boas” por terem crido em Cristo e outras dizendo que se for para ser crente e não ser totalmente obediente, compensa deixar de crer, pois se está desperdiçando muitas coisas boas do mundo.

Mas são essas coisas boas mesmo?Quem as goza está aproveitando a vida?

Segundo o Evangelho, quem não crê em Cristo está morto e quem crê é que começa a viver (perceba que há duas vidas no primeiro verso desse post, uma é o que os homens chamam de vida e a outra é a vida verdadeira, segundo Deus).

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (João 5 : 24)

“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte.” (I João 3 : 14)

De modo que se durante a caminhada com Cristo se tem de deixar algo para trás, esse algo não é importante à verdadeira Vida e portanto a perda não foi perda e sim ganho e vice versa.

“Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo.” (Filipenses 3 : 7)

Acaba aqui então o discurso orgulhoso de alguns que se acham que porque deixaram de viver coisas “boas” nessa vida merecem mais o céu do que qualquer outro que gozou-as por mais tempo que ele.

Com isso não estou dizendo que tudo o que algumas pessoas deixam de lado ao se tornarem “evangélicas” seja verdadeiramente coisas ruins, pois muitas vezes o que faz com que elas abandonem certas coisas é a cultura “evangélica” e não o evangelho.

Nem tudo que a cultura evangélica manda deixar é o que o Evangelho manda deixar.

Mas que o evangelho requer que se abandone certas coisas, não há dúvida.

Uma dessas coisas é a glória humana, que por muitas vezes precisa ser deixada de lado caso se queira pregar e viver o Evangelho com sinceridade.

“… muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga.Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” (João 12 : 42,43)

Tanto a busca da glória humana quanto as outras coisas que precisem ser abandonadas não são coisas “boas” que perdemos e não devem ser lembradas como se fossem.