Sobre o desabafo de Edir Macedo

Bo to Polska, nie elegancja Francja...

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“Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade.”  (Eclesiastes 7 : 15)

Domingo  Edir Macedo publicou um desabafo no seu blog no qual insinua que quem o critica o faz por inveja, já que ele é mais bem sucedido do que os críticos.

Além disso, ele dá a entender que o fato dele ser tão “abençoado” já é prova de que ele é honesto e que Deus o aprova como está.

Esse argumento do Edir não é novo, Silas Malafaia já o utilizou, com algumas variantes, contra Caio Fábio e outros que o criticaram e esse é um dos argumentos mais utilizados pelos defensores deles e por outros pastores a fim de relativizar qualquer crítico que se oponha a eles.

O problema é que tal argumento não tem base bíblica, na Bíblia nem sempre o justo se dá bem e o ímpio se dá mal como eu já disse  no post Jó mereceu sua tragédia? e  o Tom Fernandes no post Negando a Páscoa (onde ele também comenta o desabafo do Edir).

…se a santidade deles é tão acentuada assim, por que não são tão abençoados por Deus como gostariam? Seria Deus injusto para com eles?Que Deus é Esse que abençoa um “bandido” e amaldiçoa os certinhos?(trecho do desabafo do Edir)

Se fossemos seguir a lógica do Edir, Paulo não poderia ter criticado Pedro (pois Paulo não era atendido quando pedia para que seu espinho da carne fosse retirado) Jesus não seria santo, pois Ele teve uma oração  não respondida e o mendigo Lázaro nunca teria ido morar no seio de Abraão, pois nem sua fome conseguia saciar, tendo de se contentar com as migalhas de um rico.

Ou então Deus seria mesmo um baita injusto, que só foi justo mesmo com ele (Edir). 😀

Só me resta achar que Edir continua achando que seus seguidores gostam de fezes e por isso usa fezes para os pescar .

Como se rouba a Deus?

Caught in the Act

Caught in the Act por *saxon*, no Flickr

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.”  (Malaquias 3 : 8 )

Costuma-se interpretar o verso acima como se o fato de não se dar o dízimo seja roubar a Deus, pois, teoricamente, 10% de nossas posses pertencem a Deus e deve ser, obrigatoriamente, devolvida.

Mas a Bíblia diz que tudo é de Deus e não só 10%.

“Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude.”  (I Coríntios 10 : 26)

Logo roubar a Deus não tem a ver com não devolver uma parte de nossos bens, pois tudo o que temos(mesmo que não devolvamos nada) já pertence a Ele.

Na verdade o roubar a Deus tem a ver com o roubar ao próximo.

No contexto de Malaquias os roubados eram os levitas, as viúvas e os órfãos que legalmente  tinham o direito de comer dos dízimos e que, não sendo o dízimo dado, ficavam sem ter o que comer:

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem;”  (Deuteronômio 26 : 12)

Deus apenas toma as dores deles e diz que quem os rouba, está roubando a Ele.

Perceba que Deus não apenas cobra os dízimos e ofertas, como também diz para que eles seriam utilizados:

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.”  (Malaquias 3 : 10)

Nos dias de hoje não temos mais levitas e nem uma lei que nos obrigue a dar o dízimo para os pobres, por isso creio que o termo “roubar” não se aplique mais àquele que não dá o dízimo.

No entanto aquele que deixa de pagar um devedor seu para dar o dízimo pode ser chamado assim, pois está tomando posse do que não lhe pertence para supostamente doar a Alguém que já é dono de tudo e por isso não precisa.

A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.”  (Romanos 13 : 8 )

Passado o medo de ser chamado de ladrão, fica-se livre para doar movido pelo amor, sem quantias predefinidas e somente do que se tem.

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”  (II Coríntios 9 : 7)

“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem.”  (II Coríntios 8 : 12)