Jesus “pescava em aquário” ?

 

Illusion*

“E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.”  (Mateus 15 : 24)

Alguns costumam dizer que quando uma pessoa ensina alguém de outra denominação de modo a o fazer pensar de forma diferente do que sua denominação está “pescando em aquário”, mas se fossemos pensar assim acabaríamos concluindo que Jesus e seus apóstolos também eram “pescadores de aquário”.

Jesus nasceu como judeu, numa religião que já cria em Deus, e começou a pregar a eles mesmo, sem nenhuma neurose de achar que devia pregar somente aos que não eram crentes ainda, além disso, aparentemente ele até deu preferência de pregação aos judeus, que na época eram “os seus”.

Paulo também não tinha nenhum problema em “pescar em aquário”, sempre que chegava numa cidade já ia direto para a sinagoga pregar o evangelho, ainda que soubesse que na maioria das sinagogas haveria tanto os que concordariam quanto os que discordariam dele, ele somente ia pregar em outro lugar depois que o expulsavam de lá.

“E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.”  (Atos 17 : 10)

O pensamento atual que ensinar pessoas de uma denominação diferente é “pescar em aquário” parece uma forma de tentar desmerecer qualquer ensino que faça com que a pessoa possa querer deixar a denominação, ainda que o ensino seja somente a Palavra de Deus, tendo como objetivo manter os membros sobre o poder do pastor-fariseu-coronel.

“Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.”  (Mateus 23 : 13)

Ainda bem que Jesus não era “evangélico”. 😀

Usos, costumes e tradição evangélica

“Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.”  (Mateus 15 : 2)

Usos e costumes são vistos de diversas formas na igreja evangélica brasileira, alguns os vêem como bons costumes, outros como uma nova lei dada aos crentes, outros como costumes escravizantes e outros como forma de manter a “identidade” da denominação.

Quando eu era membro ativo da Assembléia de Deus, vez ou outra ouvia algum irmão dizer que sabia que os usos e costumes não influenciavam na salvação, porém ainda os achava bons, alegando que eles evitavam que a pessoa viesse a praticar certos pecados reais.

Muitas vezes, embora a pessoa dissesse em alguns momentos que costumes eram só “bons”, demonstrava outras coisas no seu modo de viver e conversar , como se os usos e costumes fossem realmente mandamentos necessários de serem seguidos, implicando sim na salvação.

Eu era um dos que pensavam assim, pois desde novo convertido foi condicionado a esse pensamento, porém, depois de muito tempo de estudo bíblico e meditação, percebi que tais coisas não tinham importância (primeiro cri com a razão, depois de um bom tempo que fui crer com as emoções).

Há aproximadamente dois anos atrás, fiquei sabendo por uma de minhas irmãs que uma das moças da igreja estava passando frio na escola, pois mesmo nas manhãs mais frias continuava indo de saia para a aula (caso alguém não saiba, algumas denominações proíbem mulheres de usar calças, alegando serem “roupa de homem”).

Como na época eu já entendia que costumes não salvam e até incomodam, embora entendesse a igreja continuar em uso deles, disse a ela que pusesse a calça se necessário, pois eu assumiria a responsabilidade caso o pastor não gostasse.

Porém o pai dessa moça era rígido e não permitia, pois pensava ser pecado mesmo e, como imaginei que meus argumentos não fossem adiantar com ele, resolvi falar com o pastor para que avisasse as irmãs da igreja que poderiam usar calças ao menos naquela época fria, de modo que o pai dela pelo menos ouvisse o pastor-guru e assim deixasse sua filha se agasalhar em paz.

Porém quando falei com o pastor a sua resposta foi que, embora ele não fosse achar ruim dela usar calça, ele não diria isso à igreja, pois se “liberasse” agora teria de “liberar” sempre, depois disse que se as irmãs do passado agüentaram o frio, ela também poderia agüentar…

Esse é um típico exemplo de quando alguém acha o costume tão “bom” que justifica até o sofrimento alheio ao ter de cumpri-lo.
Quando para se cumprir um costume tem de se perder a misericórdia para com os outros tal costume não é bom, é maligno.

“Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.”  (Mateus 12 : 7)

“E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.”  (Mateus 15 : 6)

Além do mais, recebemos de Deus uma consciência para que possamos examinar o que nos convém ou não, de modo que ser obrigado a seguir costumes denominacionais vai contra a liberdade que nos foi dada, sendo algo totalmente retrógrado e imaturo para um cristão.

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?
As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; (Colossenses 2:20-22)

Os dez mandamentos são a cartilha do crente

 

“Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.”  (Jeremias 31 : 33)


A Lei como um todo e a sua representação mais básica, os dez mandamentos, foi uma grande cartilha para o homem, algo que lhe ensinava o be -a – bá da vontade de Deus, assim como a primeira cartilha que uma criança recebe na escola lhe ensina só os princípios básicos do que ela saberá no futuro.

De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.
Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.
Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. (Gálatas  3:24-26)

Digo isto, pois a partir do momento em que se recebe a consciência da parte de Deus e o amor no coração, tais listas se tornam totalmente obsoletas, coisas de criança.

“Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.”  (I Timóteo 1 : 5)

“O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.”  (Romanos 13 : 10)

Jesus ao resumir os mandamentos em dois, acabou por expandi-los, pois a partir do momento em que se sabe que se deve tratar o próximo com amor, surge a consciência do que se deve ou não fazer, tornando a lista dos 10 mandamentos muito limitada para ser posta em prática na vida toda.

É por este motivo que muitos preferem ouvir aos mandamentos de um pastor-imperador do que viverem com a própria consciência, pois sabem que a lei da consciência é muito mais extensa do que a que um homem possa conseguir lhe impor, sendo mais fácil de obedecer (e se sentir autojustificado ao cumprir) e sempre deixando brechas para pecados “não listados”.

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?
As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; (Colossenses 2:20-22)

Além disso, há o desejo de ser irresponsável por seus próprios atos, deixando a responsabilidade para o pastor-babá que supostamente dará conta de qualquer uma de suas traquinagens ao Pai.

Um exemplo é o dízimo que apenas nos ensina o principio básico de que convém contribuir para o que é bom embora quem tenha consciência não precise de uma porcentagem exata para contribuir (para mais ou para menos), muito menos ser obrigado a isso através de ameaças financeiras.

É importante que se estude a Palavra sempre a fim de poder adquirir essa consciência e assim crescer, senão nunca poderemos deixar o be-a-bá.

“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.”  (II Pedro 3 : 18)