Eu voltei

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Quando penso na ideia de estar de volta, é comum lembrar dessa manchete do Clarim Diário anunciando que o Homem Aranha estava de volta no filme de 2004.

Tudo estava igual como era antes

Quase nada se modificou

Acho que só eu mesmo mudei

E voltei

Eu voltei agora pra ficar

Porque aqui, aqui é meu lugar

Eu voltei pras coisas que eu deixei

Eu voltei

(Trecho da canção “O portão” de Roberto Carlos)

Estou concluindo meu curso de psicologia que tem a duração de 5 anos. Por isso tenho postado tão pouco nos últimos anos e ainda não tinha postado nada neste ano. Agora que o meu curso está quase no fim, eu posso retornar a fazer coisas que me dão prazer e demandam um pouco mais de tempo. Um de meus planos que se fortaleceu durante o tempo em que estive estudando psicologia era escrever com mais frequência assim que estivesse livre do curso. Escrever sobre tudo o que eu achasse relevante fazer algum comentário. Quero escrever sobre fé, psicologia, política, filmes, histórias em quadrinhos, utilidade pública e o que mais eu achar que tenha algo interessante para dizer.

 

Ainda tenho minha fé, contrariando os que pensam que a faculdade transforme todo crente em ateu.  Além do blog, também penso em criar um canal no Youtube para postar vídeos sobre os assuntos que eu escrever e assim alcançar um outro público que não é tão ligado em leituras. Acredito que muitas pessoas estão sendo enganadas e é importante que alguém tente esclarecê-las. Eu pretendo fazer isso. Pretendo falar de coisas que não são muito faladas, mas também de coisas que já são faladas, mas de forma mais simplificada, ou tentando interligar ideias que normalmente são entendidas como não tendo “nada a ver” com outras. Espero conseguir. Até mais.

O vazio de todos nós

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A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus? Salmos 42:2

 

Estendo as minhas mãos para ti; como a terra árida, tenho sede de ti.  Salmos 143:6

 

Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Gênesis 2:18

 

Tem me intrigado bastante a ideia do “vazio” interior que os descrentes teriam ou que todos temos, crendo ou não.Normalmente a ideia do vazio da pessoa sem Deus é utilizada no evangelismo, sendo prometido a ela que se crer em Cristo esse vazio será preenchido e ela nunca mais viverá essa sensação incomoda.O problema é que todo cristão também passa por épocas em que parece ter um “vazio”.

 

Isso leva à questão: “Será que realmente há alguma diferença entre o crente e o descrente nesse aspecto?É honesto prometer que Deus preencherá esse vazio e lhe dará paz, sendo que nós mesmos, crentes, vivemos sentimentos de vazio e conflitos interiores constantemente?Mais que isso, será que a situação do crente não é até pior que a do descrente?”.

 

Aparentemente, o que acontece  é que existem mais de um tipo de “vazio”. Todo ser humano sem Deus tem o vazio de Deus mas não é só isso.Todo ser humano também tem uma necessidade de se relacionar com outros seres humanos e está sujeito a sofrimentos imensos se não consegui-lo satisfatoriamente, ainda que esteja “muito bem com Deus”.

 

Desse modo, é de maior importância de que o homem se reconcilie com Deus a fim de apaziguar a alma e preencher um dos vazios mas ele continua precisando se relacionar com outros seres humanos para estar bem.

 

Com relação ao maior sofrimento que algumas vezes o cristão aparenta ter, isso tem a ver com o nível maior de consciência que o cristão maduro tem, o que faz com que ele seja mais sensível as dores do mundo do que uma descrente alienado da realidade.Se fôssemos medir a quantidade de sofrimento, então talvez o crente realmente sofresse mais, embora também tenha uma estrutura melhor para suportar os sofrimentos comuns a todos do que os que não creem.

 

Acredito que o vazio do ser humano, seja de Deus ou de outros seres é o que sustenta grande parte dos profissionais da psicologia, dos que trabalham com diversão, entre outras coisas.Se o homem se relacionasse satisfatoriamente com Deus e com os homens, provavelmente não precisaria de terapia alguma e nem de fugir da realidade com bebidas, drogas, sexo e outras coisas.

Créditos da foto http://www.flickr.com/photos/27807834@N02/

Análise e Interpretação do texto “O lugar do sentimento na análise do comportamento” de B.F. Skinner

Nesse capítulo do livro “Questões Recentes na Análise Comportamental” (1991), o autor e psicólogo Burrhus Frederic Skinner procura esclarecer a posição behaviorista acerca dos sentimentos, já que, para muitos, os behavioristas pareciam ser pessoas sem sentimentos ou que negam os próprios sentimentos.

O behaviorismo é mal interpretado devido à sua insistência em considerar como ciência apenas o que é verificável e deixar de lado a introspecção; Isso não quer dizer, todavia, que o behaviorismo ignora os sentimentos; Eles apenas não gostam de utilizar algo não observável como ciência e também não acreditam que os sentimentos causem um determinado comportamento. Segundo eles, os sentimentos surgem após um evento assim como um comportamento. O sentimento é apenas um estado, uma condição corporal ele não surge do nada e causa o comportamento. Ele e o comportamento são causados por um evento anterior. Por exemplo, uma pessoa perde um ente querido e isso faz com que “sinta-se triste” e chore. O comportamento (chorar) não ocorre devido à tristeza, e sim devido à morte do ente querido.

Se as coisas ocorressem devido a sentimentos, não teríamos como construir uma ciência sobre isso, já que temos tão poucas informações sobre os tais. Após explicar isso, Skinner passa a tentar descrever alguns sentimentos através da ótica behaviorista:

Para Skinner, o amor existe, embora nada mais seja do que uma união de pessoas que reforçam o comportamento uma das outras. Quem ama, pratica gestos amorosos porque encontra na outra pessoa algo que lhe reforça a agir assim. O sexo e outras práticas do amor são comportamentos que costuma trazer consequências reforçadoras, em parte devido a influências hereditárias que persistem por esse tipo de reforço ajudar na evolução e na seleção natural.

Uma pessoa pode amar também objetos, obras de um artista e etc. Ela ama porque os objetos lhe são agradáveis e isso reforça nela os comportamentos do amor, como adquirir objetos, assistir a um show, ver um filme, etc.

É difícil para Skinner aceitar a probabilidade de um amor que não deseje nada em troca. O behaviorismo sempre crerá que há algo reforçando um comportamento, ainda que aquele que pratica o comportamento não o note ou admita.

A ansiedade seria um estado corporal causada por um evento aversivo que aconteceu antes e que aparenta estar prestes a ocorrer novamente. O medo seria parecido, mas se manifestaria havendo certeza de que a consequência aversiva viria (essa “certeza” viria através das inúmeras vezes que isso foi confirmado através de consequências aversivas sucessivas).

Skinner nega que possamos sentir o que outras pessoas sentem ou compartilhar de sua dor. Para ele, no máximo imitamos os comportamentos alheios e experimentamos sentimentos parecidos, mas nunca poderemos dizer que sentimos o mesmo que o outro.

O behaviorista não tem problemas em tratar cientificamente dos sentimentos, ele apenas não os coloca como objeto principal de seus estudos e não procura se aprofundar muito neles. O behaviorismo reconhece os sentimentos e busca entendê-los através de eventos observáveis que tenham relação com eles, ao contrário dos introspectivos que tentam entender o que está dentro buscando ainda mais fundo aquilo que não pode ser observado.

É interessante a quantidade de menções que Skinner faz a Freud nesse texto, dando a impressão de que, embora ele defenda um modo diferente de fazer psicologia, ele acredite que a psicanálise funcione também e que faça bem às pessoas. Se para ele a psicanalise não poderia ser considerada uma ciência, ao menos alguma utilidade nela ele parecia ver (seria só “histórica” como ele diz no fim do texto?).

“A inspeção ou introspecção do próprio corpo é um tipo de comportamento que precisa ser analisado, mas como a fonte de dados para uma ciência é, sem dúvida, apenas de interesse histórico.” (SKINNER, 1991, p.8)

Qualquer um pode notar o quanto os sentimentos estão entranhados na teoria behaviorista. O que seria da consequência aversiva sem a aversão? Como definiríamos reforço positivo ou negativo sem que houvesse algum sentimento atrelado?

O que haveria por trás da busca behaviorista por só trabalhar com o que é observável? Seria uma busca por trabalhar com algo que podem controlar, ao contrário do que está no inconsciente e não pode ser controlado? Seria isso uma fixação na fase anal, conforme a teoria de Freud (FREUD, 1905)?

Será que Skinner, os demais behavioristas e os positivistas em geral poderiam explicar qual foi o comportamento que causou neles esse estado corporal?

Seja qual for a resposta, é inegável que o behaviorismo consegue ir muito longe trabalhando apenas com eventos observáveis. Isso é importante para equilibrar as coisas e não deixar que haja excesso de subjetivismo na psicologia.

 

Referências Bibliográficas

 

SKINNER, B.F. “Questões Recentes na Análise Comportamental” Campinas: Papirus, 1991