Como se rouba a Deus?

Caught in the Act

Caught in the Act por *saxon*, no Flickr

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.”  (Malaquias 3 : 8 )

Costuma-se interpretar o verso acima como se o fato de não se dar o dízimo seja roubar a Deus, pois, teoricamente, 10% de nossas posses pertencem a Deus e deve ser, obrigatoriamente, devolvida.

Mas a Bíblia diz que tudo é de Deus e não só 10%.

“Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude.”  (I Coríntios 10 : 26)

Logo roubar a Deus não tem a ver com não devolver uma parte de nossos bens, pois tudo o que temos(mesmo que não devolvamos nada) já pertence a Ele.

Na verdade o roubar a Deus tem a ver com o roubar ao próximo.

No contexto de Malaquias os roubados eram os levitas, as viúvas e os orfãos que legalmente  tinham o direito de comer dos dízimos e que, não sendo o dízimo dado, ficavam sem ter o que comer:

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem;”  (Deuteronômio 26 : 12)

Deus apenas toma as dores deles e diz que quem os rouba, está roubando a Ele.

Perceba que Deus não apenas cobra os dízimos e ofertas, como também diz para que eles seriam utilizados:

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.”  (Malaquias 3 : 10)

Nos dias de hoje não temos mais levitas e nem uma lei que nos obrigue a dar o dízimo para os pobres, por isso creio que o termo “roubar” não se aplique mais àquele que não dá o dízimo.

No entanto aquele que deixa de pagar um devedor seu para dar o dízimo pode ser chamado assim, pois está tomando posse do que não lhe pertence para supostamente doar a Alguém que já é dono de tudo e por isso não precisa.

A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.”  (Romanos 13 : 8 )

Passado o medo de ser chamado de ladrão, fica-se livre para doar movido pelo amor, sem quantias predefinidas e somente do que se tem.

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”  (II Coríntios 9 : 7)

“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem.”  (II Coríntios 8 : 12)

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Ofertar é semear riquezas?

As you sow so shall you reap

“E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará.”  (II Coríntios 9 : 6)

Em 2007 foi divulgada na internet parte de uma mensagem de Silas Malafaia onde ele dizia que a oferta era uma analogia da semente e que quem oferta devia dar como quem semeia, na expectativa de colher.

Segundo a interpretação dele, quem oferta deve esperar colher riquezas espirituais e materiais.

Segundo o verso que citei acima (que aparece num contexto de doação) realmente a doação é comparada a uma semente e há expectativa de colheita.

Mas o que deve motivá-la é o amor.

“Não digo isto como quem manda, mas para provar, pela diligência dos outros, a sinceridade de vosso amor.”  (II Coríntios 8 : 8 )

Além disso, a colheita  não é descrita como um acréscimo de riquezas e sim como uma ajuda no momento de escassez:

Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão,
Mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade;
Como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos.(II Coríntios 8:13-15)

Em outras palavras, convinha que eles doassem e ajudassem os irmãos necessitados porque no momento em que passassem necessidade, e os outros irmãos tivessem condições,eles os ajudariam e assim eles receberiam conforme plantaram.

Quem doa para quem necessita, além de emprestar a Deus, também  semeia para colher no dia da sua necessidade.

Porém não se deve exagerar, pois não se exige de nós (e nem deles o foi) o que não podemos dar.

“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem.”  (II Coríntios 8 : 12)

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