A igreja pode expulsar membros?


UP Turns 100

Excluir membros de igrejas é uma prática real e nem sempre há a preocupação de saber se a Bíblia aprova ou não tal prática.

Como muitas vezes se crê que Deus quer de sua igreja obediência a diversas ordens, se não há obediência a essas ordens, então se considera natural que tal pessoa receba punições e possa até mesmo vir a ser excluída da igreja em algum momento.

Existe base bíblica?

A base bíblica que alguns usam é um trecho de carta onde Paulo fala de um membro que havia cometido incesto (feito sexo com a mulher do seu pai) e manda que ele seja expulso da comunhão ou “entregue a Satanás”:

Por toda parte se ouve que há imoralidade entre vocês, […], a ponto de alguém de vocês possuir a mulher de seu pai. […] Não deviam[…] expulsar da comunhão aquele que fez isso?

Quando vocês estiverem reunidos em nome de nosso Senhor Jesus, estando eu com vocês em espírito, estando presente também o poder de nosso Senhor Jesus Cristo, entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor.[…]

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais.Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo.Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro? Deus julgará os de fora. “Expulsem esse perverso do meio de vocês”.

1 Coríntios 5:1, 2, 4, 5; 9-13

Essa passagem provavelmente é a única no novo testamento que fala de excluir um membro. Não há outra similar, exceto talvez passagens do antigo testamento em que poderia haver exclusão ou morte por causa de alguma transgressão. Eu acredito que essa passagem apenas exemplifique uma prática humana que foi praticada por Paulo, mas que não necessariamente são um bom exemplo do que a igreja deva praticar. Suspeito até que Paulo tenha feito isso de cabeça quente e depois tenha se arrependido ao saber das consequências do que sugeriu e por isso tenha escrito isso na carta seguinte:

Se alguém tem causado tristeza, não o tem causado apenas a mim, mas também, em parte, para eu não ser demasiadamente severo, a todos vocês. A punição que lhe foi imposta pela maioria é suficiente. Agora, pelo contrário, vocês devem perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja dominado por excessiva tristeza. Portanto, eu lhes recomendo que reafirmem o amor que têm por ele.Eu lhes escrevi com o propósito de saber se vocês seriam aprovados, isto é, se seriam obedientes em tudo.Se vocês perdoam a alguém, eu também perdôo; e aquilo que perdoei, se é que havia alguma coisa para perdoar, perdoei na presença de Cristo, por amor a vocês,a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós; pois não ignoramos as suas intenções.

2 Coríntios 2:5-11

Você acredita que Paulo tenha se arrependido? Deixe seu comentário.

O Nome da Rosa – Análise e Interpretação do filme

Red rose

photo: alfaneque

Esse filme de ficção, baseado no livro do mesmo nome de Humberto Eco, nos leva a refletir em diversos assuntos como fanatismo vs racionalidade, hipocrisia religiosa, os costumes da Idade Média e o surgimento do pensamento moderno, no período da transição da Idade Média para a Modernidade.

A história se passa num mosteiro do no norte da Itália, no século XIV e o personagem principal é um monge chamado William de Baskerville que traz consigo um noviço chamado Adso. William vai até o mosteiro a fim de participar de um concílio, mas acaba se envolvendo na investigação de um caso de uma série de assassinatos misteriosos que ocorrem no mosteiro durante sua estada lá.

No filme todo vemos o contraste entre as hipóteses mais racionais de William e as hipóteses dos religiosos que insistem em imaginar que os assassinatos estejam ocorrendo através de intervenção diabólica ou por punição divina (chega-se ao ponto de crer que possam estar se cumprindo profecias apocalípticas naquele momento).

Nota-se a hipocrisia religiosa pelo desamparo em que os monges deixam os pobres que moram nos arredores do mosteiro, pela troca de alimentos por sexo que ao menos um pratica com uma moça pobre, pela prática homossexual que existe e é conhecida de todos e pelo modo fácil com que se mata a fim de esconder livros para preservar o poder da igreja, evitar que costumes sejam contrariados e outros motivos.

Numa cena em que alguns personagens inocentes estavam prestes a morrer queimados como punição por supostas heresias Adso declara que o anticristo havia vencido mais uma vez, demonstrando uma crença de que aquilo que acontecia ali era uma antítese do verdadeiro cristianismo, e de que havia nele uma esperança de um cristianismo melhor.

O filme mostra alguns costumes da Igreja Católica da Idade Média como concílios para discutir assuntos teológicos, proibição de risadas e barulhos aos monges, autoflagelações, venda de indulgências e torturas e assassinatos dos supostos hereges.

William tem um método de investigação parecido com o de Sherlock Holmes, personagem de Sir Arthur Conan Doyle: interroga, questiona, duvida e observa pequenos detalhes que a maioria normalmente não presta atenção, percebendo coisas que a maioria não vê e vai juntando peças e formulando sua hipótese sobre qual seja a solução do mistério. Segundo a Wikipédia, seu sobrenome seria uma homenagem a “O Cão dos Baskerville” um dos casos mais famosos de Holmes. Já o nome Adso seria uma referência a Watson, o ajudante de Holmes.

O modo como as mulheres são vistas no filme aparentemente tem a ver mais com tabu sexual do que uma tentativa sincera de obedecer o que está na Bíblia. Até mesmo William parece contaminado com esse tabu ao fazer somente referências bíblicas negativas em relação à mulheres e expressar sua interpretação de que elas possam ter algo de bom como uma opinião pessoal. Ele não se lembrar de referências bíblicas que digam isso deve ter a ver com o fato de que tabus ou outros tipos de pré-interpretações da vida impedem que a pessoa veja objetivamente o que um texto ou outro tipo de conteúdo diz. A mesma dificuldade é observada no momento que William confronta o reverendo Jorge acerca do humor usado pelos santos. Embora Jorge creia nos relatos usados por William, ele não aceita que eles digam algo contrário ao que ele já crê.

William não descrê totalmente na Igreja, ele apenas vê que ela exagera nas suas interpretações e propõe explicações mais simples, mais naturais. Ele tenta equilibrar a fé com a razão, embora diversas vezes pareça ter uma “adoração ao saber”. Isso pode ser notado quando, apesar de toda a sua racionalidade ele demonstra um desprezo pelo amor de uma mulher. Alguém como ele dificilmente teria escolhido o celibato só por causa do costume católico, ele aparenta fazer esse sacrifício (ainda que inconscientemente) por amor a outra divindade psicológica, o saber.

Referências

O NOME DA ROSA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=O_Nome_da_Rosa&oldid=36040382>. Acesso em: 23 jun. 2013.

Texto escrito originalmente para o professor Franco Cossu Jr . Com colaboração de Ana Carolina Maia.

Escola Bíblica e Revolução

Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina.
2 Timóteo 4:2

Ele disse isso quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.
João 6:59

Todos os sábados ele debatia na sinagoga, e convencia judeus e gregos.
Atos 18:4

A Escola Bíblica é o meu tipo de reunião favorito em igrejas pentecostais há um bom tempo, por alguns motivos:

  • Não há a bagunça dos cultos públicos onde todos começam a falar em línguas e ninguém entende nada.
  • Há um mínimo de qualidade no ensino, coisa que nem sempre há nas pregações em cultos públicos
  • Há variedade de temas que talvez jamais seriam abordados nem em cultos públicos nem em cultos de ensino
  • Há a possibilidade de que os alunos tenham acesso a ensinos mais elevados do que os obreiros de sua igreja ensinam
  • Há a possibilidade de que mais pessoas participem, mesmo que não sejam obreiros nomeados
  • Em algumas igrejas há classes separadas, o que pode ajudar pessoas de diferentes idades a entender melhor o assunto do que se estivessem todas juntas, além de dar mais liberdade ao professor que não é tão vigiado

Como usar a Escola Bíblica para uma revolução do Evangelho?Basta aproveitar as oportunidades para dizer o que o Evangelho realmente diz, usando como gancho os temas propostos nas lições.

Se você é professor, pode procurar por conteúdos que estejam relacionados com os temas da lição, ainda que não tenham sido preparados para esse fim.Não é necessário procurar só subsídios feitos por pessoas da sua igreja ou da editora que produziu a revista.

Pode-se instruir os alunos a que leiam a revista em casa e assim não perder tempo da aula com a leitura dela mas apenas estudando os temas dela muito além do que a lição aborda, numa aula que pode ser aproveitada tanto pelos que tem a revista quanto pelos que ainda não a tem.

Se você é aluno, pode aproveitar as várias oportunidades dadas na aula para participações para fazer comentários que enriqueçam a aula, provoquem polêmica, questionamentos e que forçem professores e alunos a irem além no assunto e no Evangelho.

Esse tipo de abordagem usada na Escola Bíblica pode afetar a igreja inteira, tornando os membros mais maduros, menos suscetíveis a heresias e modismos modernos, mesmo que os obreiros em si não colaborem para isso.

É a chance para todo aquele que tem coisas a dizer mas se sente impedido de fazê-lo no púlpito.É a sinagoga moderna.