Jesus e o marido da samaritana

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Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.

A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido.

Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.(João 4:16-18)

Eu acho interessante essa conversa de Jesus pelo modo como ele se refere ao marido da samaritana.

Ele começa mandando que ela chame o marido para pouco depois dizer que o marido não era o marido dela.

Há uma contradição.Como interpretá-la?

A maioria das pessoas parece-me que pensa que Jesus se “fez de bobo” perguntando a mulher algo que sabia não ser verdade só para poder mostrar que a conhecia muito melhor do que ela imaginava(ou talvez realmente não soubesse na hora, só vindo a receber a revelação em seguida) .

Segundo essa interpretação, o marido não seria marido mas um homem com quem ela era “amasiada”, um namorado, amante ou algo assim(alguém que com quem não era “casada oficialmente”).

Meu amigo Edson Pedrassani crê que a mulher até poderia ser “casada oficialmente” mas que negou ter marido para tentar ver se seduzia Jesus e, por ter negado, demonstrou que não considerava o seu marido como marido verdadeiramente, no coração, recebendo – por isso – a confirmação de Jesus de que aquele não era o marido dela.

Eu acredito que Jesus chama o marido da samaritana de marido porque realmente diante de Deus aquele era o marido dela, embora ele não o fosse “oficialmente”.

A mulher se sente na obrigação de responder “oficialmente” e aí jesus confirma que “oficialmente tiveste cinco maridos mas este não é um marido oficial, embora o seja diante de meus olhos”.

Eu imagino que essa mulher tenha recebido 4 cartas de divórcio (já que não havia ceridão de casamento, somente de divórcio) e foi abandonada pelo quinto marido sem carta, vindo a se relacionar com um homem enquanto oficialmente ainda era vista como pertencente ao seu ex.

Aparentemente era costume de alguns homens abandonarem suas esposas sem lhes dar carta de divórcio (esse foi o motivo pelo qual Moisés mandou que se desse carta de divórcio em caso de separação, para que se tivesse uma prova de que a mulher estava liberada para um novo relacionamento).

Nesse caso, o marido não era visto pelo povo como o marido oficial da samaritana, não havia prova de que ela estava livre de seu ex, mas diante de Deus valia o seu relacionamento atual.

Se fosse nos nossos dias, seriam  amasiados, namorados ou algo assim aos olhos dos homens mas aos olhos de Deus seriam um casal de verdade.

E você?Como interpreta?

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Perdão e convivência

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“E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.”  (Marcos 11 : 25)

“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;”  (Mateus 5 : 44)
“Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.”  (João 8 : 59)

“Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;”  (Eclesiastes 3 : 5)

Jesus sempre ensinou que deveríamos perdoar e amar a todos, mesmo aqueles que nos fazem mal e não demonstram arrependimento.

Ele mesmo pediu ao pai que perdoasse aos que o crucificaram, mesmo eles não tendo se arrependido:

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”  (Lucas 23 : 34)

Devemos sempre perdoar da forma como gostaríamos de ser perdoados, de modo que se quisermos ser perdoados mesmo não tendo ainda pedido perdão por algum pecado, devemos também fazer isso a quem peca contra nós e ainda não se arependeu.

Mas nem por causa disso Jesus incentivou que escolhêssemos conviver com gente que nos faz mal, ele mesmo sempre se retirava quando via que certas pessoas lhe ofereciam perigo.

Amar não significa necessariamente ser amigo, fazer refeições juntos ou coisas assim.

Jesus manda convidar os necessitados para refeições, mas nunca diz que se deve convidar os inimigos:

“E dizia também ao que o tinha convidado:

Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.

Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos, e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.” (Lucas 14:12-14)

Por outro lado, o amor ao inimigo pode incluir dar a ele o que comer e beber:

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.”  (Romanos 12 : 20)

Entrei nesse assunto por causa de algumas pessoas que acham que Deus quer que as pessoas jamais se separem, mas perdoem seus conjugues e continuem juntos.

Sem dúvida, o cristão deve sempre perdoar seu conjugue, mas isso não quer dizer que eles devam continuar casados.

Quando Jesus disse que a pessoa que se separasse e casasse de novo, por causa de fornicação, não estaria cometendo adultério ele não estava dizendo que nesse caso a pessoa tem direito de não perdoar e sim que tem o direito de não ficar mais junto da pessoa, ainda que a tendo perdoado.

Perdoar não é se tornar ingênuo, fazer de conta que não aconteceu nada.Perdoar é abrir mão de cobrar uma dívida real porque sabe que foi perdoado de dívidas que jamais conseguiria pagar.

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.”  (Mateus 10 : 16)

Creative Commons License photo credit: silgeo

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