A Bíblia exige o casamento civil?

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A Bíblia respeita e recomenda o casamento, mas nunca diz que Deus somente o considera válido se for oficializado em algum cartório.

Assim, pessoas que praticam o sexo antes do casamento civil, não estão necessariamente cometendo fornicação e nem outro tipo de pecado.

A lei de Moisés, que continha instruções tanto espirituais e simbólicas quanto de higiene e organização social, não ordenava que se fizesse algum tipo de certidão para comprovar que duas pessoas se casaram, embora houvesse uma certidão de divórcio:

“QUANDO um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á uma carta de repúdio, e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa.”  (Deuteronômio 24 : 1)

A certidão de divórcio servia para proteger a mulher, para que ela pudesse ter a chance de se casar novamente assim como a certidão de casamento atual brasileira só serve para proteger as partes em caso de divórcio ou desarmonia.

Há quem tente provar biblicamente que devemos nos casar no civil baseado em passagens como essa:

“TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.”  (Romanos 13 : 1)

“Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra;”  (Tito 3 : 1)

No entanto, isso só provaria biblicamente a necessidade de casamento civil se o governo ordenasse que todas as pessoas unidas devem obrigatoriamente oficializar sua situação, o que não é o caso no Brasil, por exemplo.

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Perdão e convivência

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“E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.”  (Marcos 11 : 25)

“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;”  (Mateus 5 : 44)
“Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.”  (João 8 : 59)

“Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;”  (Eclesiastes 3 : 5)

Jesus sempre ensinou que deveríamos perdoar e amar a todos, mesmo aqueles que nos fazem mal e não demonstram arrependimento.

Ele mesmo pediu ao pai que perdoasse aos que o crucificaram, mesmo eles não tendo se arrependido:

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”  (Lucas 23 : 34)

Devemos sempre perdoar da forma como gostaríamos de ser perdoados, de modo que se quisermos ser perdoados mesmo não tendo ainda pedido perdão por algum pecado, devemos também fazer isso a quem peca contra nós e ainda não se arependeu.

Mas nem por causa disso Jesus incentivou que escolhêssemos conviver com gente que nos faz mal, ele mesmo sempre se retirava quando via que certas pessoas lhe ofereciam perigo.

Amar não significa necessariamente ser amigo, fazer refeições juntos ou coisas assim.

Jesus manda convidar os necessitados para refeições, mas nunca diz que se deve convidar os inimigos:

“E dizia também ao que o tinha convidado:

Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.

Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos, e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.” (Lucas 14:12-14)

Por outro lado, o amor ao inimigo pode incluir dar a ele o que comer e beber:

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.”  (Romanos 12 : 20)

Entrei nesse assunto por causa de algumas pessoas que acham que Deus quer que as pessoas jamais se separem, mas perdoem seus conjugues e continuem juntos.

Sem dúvida, o cristão deve sempre perdoar seu conjugue, mas isso não quer dizer que eles devam continuar casados.

Quando Jesus disse que a pessoa que se separasse e casasse de novo, por causa de fornicação, não estaria cometendo adultério ele não estava dizendo que nesse caso a pessoa tem direito de não perdoar e sim que tem o direito de não ficar mais junto da pessoa, ainda que a tendo perdoado.

Perdoar não é se tornar ingênuo, fazer de conta que não aconteceu nada.Perdoar é abrir mão de cobrar uma dívida real porque sabe que foi perdoado de dívidas que jamais conseguiria pagar.

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.”  (Mateus 10 : 16)

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