Sobre a paralisação dos caminhoneiros

Caminhão amarelo

Muito se tem falado sobre a paralisação dos caminhoneiros, tanto da parte dos que são a favor como da parte dos que são contra.

Não é simples estabelecer um consenso, embora a multidão dos que se manifestam a favor da paralisação reúna pessoas que normalmente costumam ficar em lados opostos, dando a impressão, muitas vezes, que a “maioria” está a favor.

Razões para parar existem

É inegável que os combustíveis estão caros e que parte desse problema tem a ver com a carga tributária brasileira que é muito alta.

Também é verdade que o caminhoneiro tem, muitas vezes, péssimas condições de trabalho, tanto sendo autônomo quanto sendo funcionário de uma empresa.

Sei disso porque tenho algumas pessoas na família e conhecidos que trabalham ou já trabalharam na área.

Questões importantes

Será que esses problemas justificam a paralisação atual e suas consequências? Será que a paralisação está sendo feita de maneira correta?

Será que quem está por trás da paralisação são funcionários ou patrões?

Seria greve ou locaute (quando a paralisação é organizada por patrões, o que é ilegal)?

Você é a favor ou contra?

Essa reflexão deve ser feita antes de decidir ser a favor ou contra o movimento. Claro que é natural que à primeira vista já nos sintamos contra ou a favor de um movimento e mais tarde, com melhor conhecimento das informações relacionadas, possamos mudar de opinião. Isso é totalmente natural. Não é vergonha mudar de opinião após buscar informação. Isso tem a ver com evolução e humildade. Somente o orgulhoso acha inaceitável mudar de discurso ou a opinião, pois isso demonstraria que em algum momento ele errou.

Sou a favor de greves, mas não necessariamente dessa paralisação específica

Eu sou a favor de greves (e elas são um direito) e por isso quando ouvi falar que havia uma greve de caminhoneiros, automaticamente me senti a favor. Mais tarde soube que alguns caminhoneiros estavam sendo forçados a participar, o que já não achei tão legal, já que acredito que uma boa greve é uma greve em que os trabalhadores participam voluntariamente, não obrigados.

Essa pressão para que participassem todos os caminhoneiros, querendo ou não, deu maior força ao movimento e causou mais problemas para a sociedade, ajudando a pressionar mais para que suas reivindicações fossem atendidas, mas não é justificável. A liberdade de ir e vir ficou prejudicada.

É claro que o argumento da “liberdade de ir e vir” nem sempre é aceitável

Há quem provavelmente poderia dizer que uma greve de motoristas de ônibus seria uma afronta ao princípio, do que eu discordaria, pois embora a pessoa tenha direito de ir e vir, não há obrigação de um motorista de levar alguém mesmo sem ter os seus direitos trabalhistas respeitados.

Da mesma forma, não creio que se todos os motoristas de caminhões que levam combustível resolvessem, voluntariamente, parar eles estariam desrespeitando o “ir e vir”. Mas bloquear estradas impedindo que qualquer veículo passe, é sim uma violação de direitos. Não há falha do Estado  nem preço de combustível que justifique isso.

Essa luta compensa?

Pressionar o governo para que somente retire ou reduza impostos dos combustíveis não é necessariamente vantajoso para os caminhoneiros ou para o país, pois estes impostos fazem parte do orçamento do país para realizar seus serviços.

Se o governo abrir mão de todos os impostos, terá que fazer cortes em diversas áreas (como na saúde, educação e até transportes) ou cobrar os impostos perdidos de outras formas.

Talvez para os caminhoneiros (e seus patrões) a situação fosse parecer melhorar, mas o resto da sociedade pagaria por isso (a mesma sociedade que está sofrendo os prejuízos da paralisação e que em grande parte os apoia, achando que essa paralisação beneficiará a todos).

Da mesma forma, se a Petrobras abaixar por sua própria conta os preços, poderá sofrer prejuízos que também recairão sobre o país todo (inclusive os caminhoneiros).

É uma situação complicada, sem dúvida, mas creio que os caminhoneiros deveriam aceitar o acordo que foi oferecido pelo governo e encerrar essa paralisação para o bem de todos.

Para mais informações, acesse:

Quem são e o que querem os caminhoneiros que estão parando o país

O que é locaute? Entenda o termo usado pelo ministro da Segurança, Raul Jungmann

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Sobre Roberto Donizeti Soares

Moro em Catiguá, interior de São Paulo. Sou psicólogo formado pelo Instituto de Ensino Superior de Catanduva (IMES Catanduva, antiga FAFICA) e trabalho em Catanduva, na Superintendência de Água e Esgoto de Catanduva. Li a Bíblia algumas vezes e continuo relendo e buscando um maior entendimento. Simpatizo com o movimento Caminho da Graça do pastor Caio Fábio de Araújo Filho. Gosto de teologia, sociologia, psicologia, antropologia, política, livros, filmes, música, gibis, jogos e brinquedos, entre outras coisas.

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