Os dez mandamentos são a cartilha do crente

Capa da cartilha infantil “caminho suave” de 1965

“Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.”  (Jeremias 31 : 33)


A Lei como um todo e a sua representação mais básica, os dez mandamentos, foi uma grande cartilha para o homem, algo que lhe ensinava o be -a - bá da vontade de Deus, assim como a primeira cartilha que uma criança recebe na escola lhe ensina só os princípios básicos do que ela saberá no futuro.

De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.
Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.
Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. (Gálatas  3:24-26)


Digo isto, pois a partir do momento em que se recebe a consciência da parte de Deus e o amor no coração, tais listas se tornam totalmente obsoletas, coisas de criança.


“Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.”  (I Timóteo 1 : 5)


“O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.”  (Romanos 13 : 10)

Jesus ao resumir os mandamentos em dois, acabou por expandi-los, pois a partir do momento em que se sabe que se deve tratar o próximo com amor, surge a consciência do que se deve ou não fazer, tornando a lista dos 10 mandamentos muito limitada para ser posta em prática na vida toda.


É por este motivo que muitos preferem ouvir aos mandamentos de um pastor-imperador do que viverem com a própria consciência, pois sabem que a lei da consciência é muito mais extensa do que a que um homem possa conseguir lhe impor, sendo mais fácil de obedecer (e se sentir autojustificado ao cumprir) e sempre deixando brechas para pecados “não listados”.


Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?
As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; (Colossenses 2:20-22)


Além disso, há o desejo de ser irresponsável por seus próprios atos, deixando a responsabilidade para o pastor-babá que supostamente dará conta de qualquer uma de suas traquinagens ao Pai.


Um exemplo é o dízimo que apenas nos ensina o principio básico de que convém contribuir para o que é bom embora quem tenha consciência não precise de uma porcentagem exata para contribuir (para mais ou para menos), muito menos ser obrigado a isso através de ameaças financeiras.

É importante que se estude a Palavra sempre a fim de poder adquirir essa consciência e assim crescer, senão nunca poderemos deixar o be-a-bá.

“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.”  (II Pedro 3 : 18)

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É realmente necessário ungir os doentes para que sejam curados?

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Creative Commons License photo credit: ninjaneil902

“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor;”  (Tiago 5 : 14)


Estava meditando nesse versículo e tentando entender de onde esse costume saiu
já que não podia entender como um aparente rito como esse se encaixar na Graça, a partir daí resolvi fazer uma pesquisa e essas são as conclusões que cheguei:

Jesus curou de diversas maneiras a diversas pessoas, no entando nunca se diz que ele tenha ungido alguém a fim de a curar.

Por outro lado, diz-se que os discípulos o aplicaram ao serem enviados para pregar e curar:

“E expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.”  (Marcos 6 : 13)


Olhando o contexto de Marcos 6 vemos Jesus enviando os discípulos para pregar e
curar, mas não fala de unção e nem permite que levem nada, somente um bordão (vara, cajado) e alparcas nos pés.

Se não puderam levar nada, é de se imaginar que não tinham óleo consigo também, de modo que a cura milagrosa não estava condicionada ao óleo.

Creio que o óleo que os discípulos usaram na oração e o óleo citado por Tiago, provavelmente era o mesmo que as pessoas usavam normalmente para se curar de algumas doenças ou feridas.

Sobre uso de óleos curativos nos diz o irmão Walter Andrade Campelo:

O óleo tem poderes curativos, permitindo amolecer feridas e purificá-las. O óleo quando misturado a certas ervas, pode proporcionar medicamentos poderosos para vários males. Não é de surpreender que os médicos em Israel tivessem desde tempos antigos conhecimento destas ervas e da forma de utilizá-las no processo curativo de doentes.

“Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.” (Isaías 1:6 ACF)

“E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;” (Lucas 10:34 ACF)
http://www.luz.eti.br/es_uncaocomoleo-parte1.html

Em outras palavras Tiago podia estar querendo dizer: “está alguém entre
vós doente? Chamem os irmãos mais experientes, e orem sobre
ele, aplicando-lhe seu remédio em nome do Senhor”.

No entanto, devido ao fato de Jesus nunca ter ensinado isso, nem
exercido em suas curas (segundo os relatos que temos), creio que é algo
opcional, servindo apenas em casos específicos e nestes casos acho
importante contextualizar o óleo para o medicamente contemporâneo para
que a simbologia fique clara.

Leia mais sobre a unção de enfermos clicando aqui.

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É errado criticar pastores?

Davi poupa a Saul

“O SENHOR me guarde, de que eu estenda a mão contra o ungido do SENHOR; agora, porém, toma a lança que está à sua cabeceira e a bilha de água, e vamo-nos.”  (I Samuel 26 : 11)


Sexta feira fui com um amigo fazer uma visita a um irmão e na nossa conversa, ao comentarmos sobre alguns erros que alguns pastores praticam, ele disse que não ia tocar nesse assunto porque “não podia tocar o ungido”.

É impressionante como algumas pessoas são manipuladas por lideres que usam a velha artimanha de dizer que Davi não tocou Saul e então o crente não pode nem mesmo criticar pastor algum, pois esse pastor supostamente é “ungido”, sem nem entender que “tocar” não tem nada  a ver com denunciar ou criticar.

Tocar Saul, para Davi, era algo físico como matar ou pelo menos agredir.

Davi não “tocou” Saul, mas mesmo assim agiu pelas suas costas, desobedeceu-o, formou um grupo próprio e denunciou a injustiça de Saul na frente do seu exercito.

Davi não usou de violência contra Saul, mas nem por isso aceitou tudo o que Saul lhe queria fazer de mal e nem guardou para si a injustiça para manter a imagem de Saul intacta.

De modo que denunciar, repreender ou trabalhar contra um pastor ruim não é errado, antes é um dever, quando esse pastor pratica o mal contra as ovelhas que estão sobre suas mãos.                        

Paulo repreendeu a Pedro na presença de todos num momento em que ele agiu de maneira errada e ainda publicou isso numa de suas cartas:

“Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”  (Gálatas 2 : 14)


Que deixemos de ser omissos e denunciemos aquilo que for preciso denunciar, sem medo de tais maldições.

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