Amor aos animais


IMG-20151010-WA0002O amor aos animais é algo belo desde que não coexista com o ódio pelos seres humanos.

Há gente que ama os animais e ama mais aos seres humanos, porque entende que os homens estão acima dos animais. Outros amam a ambos porque creem que todos são animais e há os que amam, com poucas exceções, apenas os animais (ou os animais chamados de “inferiores”) porque estes supostamente são puros, enquanto o ser humano é maldoso e cruel.

Do ponto de vista bíblico o homem é descrito como superior aos animais, chegando ao ponto de ter permissão divina de usá-los para sua sobrevivência:

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: […] dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. Gênesis 1:28

Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; […] Gênesis 9:3

Isso não quer dizer que o homem possa fazer o que bem entende com os animais mas dá ao homem o direito de fazer com animais o que não tem direito de fazer com outros seres humanos caso haja necessidade. O valor do ser humano não está ligado ao que faz de bom ou ruim mas é um valor estabelecido no momento da Criação.

Além do mais, não sabemos tudo sobre os animais a ponto de poder dizer que eles sejam melhores por não praticar o mal. Há quem pense que eles não tem nada além de instintos, o que não permitiria que fizessem o mal, mesmo que praticando uma ação vista como má, pois não fariam movidos por maldade mas apenas por instintos, não podendo ser julgados por isso. Nesse caso, não haveria superioridade animal, pois os animais não poderiam praticar nem o bem e nem o mal, sendo apenas seres neutros.

Se há sentimentos e escolhas não apenas instintuais nos animais então não temos como saber se os animais são puros ou não, pois, segundo Jesus, a maldade acontece no coração mesmo que não se manifeste em ações. Certas ações incômodas deles como latir, arranhar e morder poderiam até mesmo ser atos maldosos e não apenas reações instintivas.

Independentemente de crermos ou não na inocência dos animais e malignidade dos seres humanos o mandamento de Cristo é que amemos aos seres humanos, mesmo os inimigos:

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Mateus 5:44

Não há no evangelho elogio ao amor dedicado apenas a quem nos ama ou nos trata bem; isso é considerado algo natural do ser humano. Não dá ser um verdadeiro amante de Deus amando apenas animais.

Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.1 João 4:21

Marina Silva, casamento gay e Silas Malafaia


Em 2010 Silas Malafaia disse apoiar Marina Silva e mais tarde deixou de apoiá-la para apoiar José Serra. Os motivos para deixar de apoiar Marina foram diversos, entre eles o posicionamento dela sobre aborto e por ela não ter dado importância a um projeto de lei que pretendia fazer com que toda biblioteca tivesse uma bíblia.

Marina com relação ao casamento gay defendia o mesmo que defende atualmente (não, ela não mudou de posição) e após as declarações de Malafaia não alterou nada em seu programa e nem prometeu dar atenção a lei das Bíblias nas bibliotecas como forma de agradar o falso pastor.

“Em entrevista para o UOL Eleições, a presidenciável Marina Silva (PV) se disse “não favorável” ao casamento gay e afirmou não ter posição fechada sobre a adoção de filhos por casais homossexuais. A senadora revelou que não irá à Parada Gay, que será realizada em São Paulo no próximo fim de semana.”

http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/01/marina-se-diz-nao-favoravel-ao-casamento-gay-e-propoe-plebiscito-sobre-maconha.jhtm

 

Em 2014, Silas Malafaia mudou de tática.Não fala mais da lei da Bíblia nas bibliotecas, apenas finge se importar com um ponto do programa de Marina que estava diferente do que ela pensava em 2010, o que, se fosse realmente a posição atual dela, demonstraria uma mudança em relação a 2010.

Provavelmente a ameaça que ele faz a ela de que se não mudasse o ponto do programa, ele faria uma declaração a respeito dela tem a ver com a constatação de que o ponto do programa contrariava o que ela dizia anteriormente.Provavelmente se ela não corrigisse o programa ele fosse dizer que ela se tornou menos cristã ou que estava se contradizendo em relação a 2010, talvez até fazendo essa mudança apenas para agradar aos eleitores gays e conseguir seus votos.

 

Silas Malafaia provavelmente imaginava que Marina ao perceber o erro o corrigiria(não deixaria de corrigir só para não ser mal interpretada) e aí passaria mais uma vez a imagem de homem influente que tem poder sobre pessoas.Se a Marina realmente tivesse mudado de convicção ele aproveitaria para se expor como defensor da coerência política e cristã e dos “bons costumes”.

 

Marina Silva corrige o programa, deixando-o conforme sua opinião de 2010 e muitos entendem que ela retrocedeu devido ao falso pastor, mesmo ela já tendo apresentado a mesma visão em 2010 e demonstrado que não se importa com a visão do pastor em 2010.
Acredito que essa interpretação seja fruto de desinformação e/ou preconceito, em parte por ela ser evangélica e declarar isso abertamente.

O Nome da Rosa – Análise e Interpretação do filme

Red rose

Esse filme de ficção, baseado no livro do mesmo nome de Humberto Eco, nos leva a refletir em diversos assuntos como fanatismo vs racionalidade, hipocrisia religiosa, os costumes da Idade Média e o surgimento do pensamento moderno, no período da transição da Idade Média para a Modernidade.

A história se passa num mosteiro do no norte da Itália, no século XIV e o personagem principal é um monge chamado William de Baskerville que traz consigo um noviço chamado Adso. William vai até o mosteiro a fim de participar de um concílio, mas acaba se envolvendo na investigação de um caso de uma série de assassinatos misteriosos que ocorrem no mosteiro durante sua estada lá.

No filme todo vemos o contraste entre as hipóteses mais racionais de William e as hipóteses dos religiosos que insistem em imaginar que os assassinatos estejam ocorrendo através de intervenção diabólica ou por punição divina (chega-se ao ponto de crer que possam estar se cumprindo profecias apocalípticas naquele momento).

Nota-se a hipocrisia religiosa pelo desamparo em que os monges deixam os pobres que moram nos arredores do mosteiro, pela troca de alimentos por sexo que ao menos um pratica com uma moça pobre, pela prática homossexual que existe e é conhecida de todos e pelo modo fácil com que se mata a fim de esconder livros para preservar o poder da igreja, evitar que costumes sejam contrariados e outros motivos.

Numa cena em que alguns personagens inocentes estavam prestes a morrer queimados como punição por supostas heresias Adso declara que o anticristo havia vencido mais uma vez, demonstrando uma crença de que aquilo que acontecia ali era uma antítese do verdadeiro cristianismo, e de que havia nele uma esperança de um cristianismo melhor.

O filme mostra alguns costumes da Igreja Católica da Idade Média como concílios para discutir assuntos teológicos, proibição de risadas e barulhos aos monges, autoflagelações, venda de indulgências e torturas e assassinatos dos supostos hereges.

William tem um método de investigação parecido com o de Sherlock Holmes, personagem de Sir Arthur Conan Doyle: interroga, questiona, duvida e observa pequenos detalhes que a maioria normalmente não presta atenção, percebendo coisas que a maioria não vê e vai juntando peças e formulando sua hipótese sobre qual seja a solução do mistério. Segundo a Wikipédia, seu sobrenome seria uma homenagem a “O Cão dos Baskerville” um dos casos mais famosos de Holmes. Já o nome Adso seria uma referência a Watson, o ajudante de Holmes.

O modo como as mulheres são vistas no filme aparentemente tem a ver mais com tabu sexual do que uma tentativa sincera de obedecer o que está na Bíblia. Até mesmo William parece contaminado com esse tabu ao fazer somente referências bíblicas negativas em relação à mulheres e expressar sua interpretação de que elas possam ter algo de bom como uma opinião pessoal. Ele não se lembrar de referências bíblicas que digam isso deve ter a ver com o fato de que tabus ou outros tipos de pré-interpretações da vida impedem que a pessoa veja objetivamente o que um texto ou outro tipo de conteúdo diz. A mesma dificuldade é observada no momento que William confronta o reverendo Jorge acerca do humor usado pelos santos. Embora Jorge creia nos relatos usados por William, ele não aceita que eles digam algo contrário ao que ele já crê.

William não descrê totalmente na Igreja, ele apenas vê que ela exagera nas suas interpretações e propõe explicações mais simples, mais naturais. Ele tenta equilibrar a fé com a razão, embora diversas vezes pareça ter uma “adoração ao saber”. Isso pode ser notado quando, apesar de toda a sua racionalidade ele demonstra um desprezo pelo amor de uma mulher. Alguém como ele dificilmente teria escolhido o celibato só por causa do costume católico, ele aparenta fazer esse sacrifício (ainda que inconscientemente) por amor a outra divindade psicológica, o saber.

Referências

O NOME DA ROSA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2013. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=O_Nome_da_Rosa&oldid=36040382>. Acesso em: 23 jun. 2013.

Texto escrito originalmente para o professor Franco Cossu Jr . Com colaboração de Ana Carolina Maia.