A “Santa Ceia” como parábola


Wine glasses

Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos seus discípulos, dizendo: “Tomem e comam; isto é o meu corpo”. Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: “Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados.

Mateus 26:26-28

Essa passagem é entendida como a instituição de uma “refeição sagrada” que deveria ser tomada frequentemente para daí poder experimentar o comer e beber de Cristo, o que seria essencial para a vida Cristã (tal qual o comer e beber literais são essenciais para a vida física normal). Porém, como até mesmo defensores dessa interpretação podem confirmar, Jesus não era de criar muitos rituais para a fé cristã (se alguém te disse o contrário, não está se baseando nos evangelhos.), então é preciso ter cuidado ao afirmar que ele daria todo esse valor a uma refeição ou ritual.

Sabemos que Jesus gostava de usar parábolas para tornar mais claros os seus ensinamentos e grande parte dos evangelhos é composta dessas ilustrações:

Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; Mateus 13:34

E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina: Marcos 4:2

E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. Marcos 4:33

Podemos pensar que o que Jesus fez na sua última ceia com os discípulos, foi apenas uma parábola do que realmente queria dizer. Não que ele não tenha dito também o significado: A entrega de Jesus para a morte para perdão do pecado de todos. Se ele já disse o que queria dizer, então porque usar uma parábola ao mesmo tempo? Possivelmente para que o ensino ficasse melhor gravado na memória e para que aqueles que tivessem acesso ao relato todo pudessem entender pelo menos parte do que era dito.

Por isso também se institui um certo “ritual” que seria repetido em reuniões pela igreja depois da morte de Cristo: Para que a parábola se repetisse e mais uma vez se ressaltasse o ensinamento bíblico.

Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha.

1 Coríntios 11:26

Vemos aqui um bom motivo para repetir a chamada “santa ceia” ou eucaristia, o relembrar do ato de Jesus (a fim de provocar reflexão) e o reforçamento do ensino sobre o ato sacrificial de Cristo.

Amor aos animais


IMG-20151010-WA0002O amor aos animais é algo belo desde que não coexista com o ódio pelos seres humanos.

Há gente que ama os animais e ama mais aos seres humanos, porque entende que os homens estão acima dos animais. Outros amam a ambos porque creem que todos são animais e há os que amam, com poucas exceções, apenas os animais (ou os animais chamados de “inferiores”) porque estes supostamente são puros, enquanto o ser humano é maldoso e cruel.

Do ponto de vista bíblico o homem é descrito como superior aos animais, chegando ao ponto de ter permissão divina de usá-los para sua sobrevivência:

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: […] dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. Gênesis 1:28

Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; […] Gênesis 9:3

Isso não quer dizer que o homem possa fazer o que bem entende com os animais mas dá ao homem o direito de fazer com animais o que não tem direito de fazer com outros seres humanos caso haja necessidade. O valor do ser humano não está ligado ao que faz de bom ou ruim mas é um valor estabelecido no momento da Criação.

Além do mais, não sabemos tudo sobre os animais a ponto de poder dizer que eles sejam melhores por não praticar o mal. Há quem pense que eles não tem nada além de instintos, o que não permitiria que fizessem o mal, mesmo que praticando uma ação vista como má, pois não fariam movidos por maldade mas apenas por instintos, não podendo ser julgados por isso. Nesse caso, não haveria superioridade animal, pois os animais não poderiam praticar nem o bem e nem o mal, sendo apenas seres neutros.

Se há sentimentos e escolhas não apenas instintuais nos animais então não temos como saber se os animais são puros ou não, pois, segundo Jesus, a maldade acontece no coração mesmo que não se manifeste em ações. Certas ações incômodas deles como latir, arranhar e morder poderiam até mesmo ser atos maldosos e não apenas reações instintivas.

Independentemente de crermos ou não na inocência dos animais e malignidade dos seres humanos o mandamento de Cristo é que amemos aos seres humanos, mesmo os inimigos:

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Mateus 5:44

Não há no evangelho elogio ao amor dedicado apenas a quem nos ama ou nos trata bem; isso é considerado algo natural do ser humano. Não dá ser um verdadeiro amante de Deus amando apenas animais.

Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.1 João 4:21

A Bíblia e a definição de família

Sobrinho novo a caminho

A definição de família como a união de um homem e uma mulher aprovada pela comissão especial sobre estatuto da família é extremamente limitada e a Bíblia não a confirma.Na Bíblia a definição de família é bem mais flexível como pode ser conferido fazendo uma pesquisa da palavra “família” por toda a Bíblia.Um exemplo simples é o desse versículo que fala sobre famílias de animais:

 

Todo o animal, todo o réptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre a terra, conforme as suas famílias, saiu para fora da arca. Gênesis 8:19

 

Se a Bíblia reconhece família de animais, logo família não é algo que dependa de um homem e uma mulher.Mas suponhamos que alguém diga que se está falando de família humana e não família no sentido mais amplo.Nesse caso temos outro exemplo de família bem mais ampla reconhecida na Bíblia:

 

E, fazendo chegar a tribo de Judá, tomou a família dos zeraítas; e fazendo chegar a família dos zeraítas homem por homem, foi tomado Zabdi; Josué 7:17

 

Vemos aí que uma família nesse contexto podia conter muita gente, a ponto de se dizer que haviam vários homens, não somente um homem e uma mulher.

 

Obviamente muitos apoiam a definição de família apenas como sendo formada por um homem e uma mulher apenas para poder dizer que a união de dois homens ou de duas mulheres não é uma família de verdade mas essa redução acaba atingindo também muitos outros tipos de família. Seria mais honesto(embora terrível) propor então que não seja considerada família uma união de duas pessoas homossexuais.

 

A Bíblia provavelmente não fala de nenhuma família formada por homossexuais ou se fala não deixa isso claro mas isso não justifica que se pense que a Bíblia só reconhece o formato de família chamado “tradicional” ou “nuclear”. Também não se pode pensar que só porque determinado formato de família não é mencionado na Bíblia que a Bíblia seja contra.

 

Há quem diga que versos como os que citei não servem como argumento porque esses versos não seriam versos que estão definindo o que é uma família. O problema é que provavelmente (e já li a Bíblia diversas vezes) não há verso que defina explicitamente o que é ou não uma família.Há diversos versos que falam de família e que alguns juntam para depois tentar definir o que seria o “ensinamento bíblico a respeito de família”. Um dos problemas disso é que ao dizer que um dos versos que citei não vale, teria que se dizer que a Bíblia errou ou mentiu o que para eles também costuma ser inadmissível.Poderia-se também dizer que houve problema de tradução, o que seria bem complicado.Outros poderiam citar tradições extra-bíblicas que também não ajudam muito.
Muitos apoiam certas ideias e outros pegaram raiva da Bíblia por achar que ela diz coisas que não diz. Por isso é importante esse tipo de esclarecimento.