Sobre o apocalipse da corrupção do Brasil

APOCALIPSESobre a minha leitura do livro do Apocalipse

O livro do Apocalipse provavelmente foi o primeiro que li da Bíblia. Eu era adolescente e me interessava muito a temática apocalíptica.

Como estava próximo ao ano 2000, ouvia com frequência que o fim do mundo estava próximo e, ao mesmo tempo em que sentia medo, ansiava por isso desde que eu pudesse estar a salvo (talvez por isso eu tenha buscado tanto ao cristianismo desde aquela época). 

Eu cheguei ao ponto de desejar que o mundo acabasse mesmo no ano 2000 para que eu escapasse de uma vacina (na época eu tinha um medo ainda maior de agulhas do que tenho hoje em dia).

Ao ler o livro do apocalipse, porém, não me deparei (como muitos temem) com um livro onde apenas apareça destruição e desgraça.

Vi que o Apocalipse traz castigos, mas também traz recompensas boas e consolo para os “justos” (coloco entre aspas, pois não há como ler a bíblia inteira e acreditar que haja alguém literalmente justo, que não tenha injustiça alguma; no máximo há  pessoas que se esforçam em fazer o bem e se arrependem de seus maus atos).

Essa é a esperança do apocalipse: depois do caos, virá o Paraíso.

E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.

Certas melhoras não podem vir sem que antes haja destruição. É por isso que a Bíblia diz que os céus e a terra serão destruídos para que hajam novos céus e nova terra.

Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.

Até mesmo na criação bíblica, primeiro houve caos (vazio, trevas e deformidade30), depois houve tudo o que há.

E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz.

Gênesis 1:2,3

O apocalipse da corrupção no Brasil

Muitas vezes quando vemos algo que achamos muito ruim, dizemos que aquilo é “o fim do mundo”, mas não lembramos que aquele fim pode ser algo bom, pois após ele pode vir o começo de algo muito melhor.

É por isso que no título desse texto eu menciono o Brasil.

Muitos parecem achar que o Brasil está no fim devido a problemas como a revelação (inclusive “revelação” é a tradução da palavra grega apocalipse) de muitos esquemas de corrupção e que isso seria o sinal de que a coisa só vai de mal a pior, mas isso não tem que ser verdade.

A revelação da corrupção e sua punição, pode ser o que abrirá o caminho para que no futuro tenhamos um futuro melhor.

Por isso, não desanime e nem deixe de participar das eleições votando em alguém escolhido conscientemente apenas por achar que todos devem ser “farinha do mesmo saco”. Creia que se tantos escândalos estão vindo à tona é porque está mais difícil ser corrupto e poderá ficar ainda mais difícil se fizermos uma boa escolha nas eleições.

E se mesmo com muito esforço, ainda escolhermos  a pessoa errada, a chance do novo eleito ser punido é maior que antes e assim teremos mais esperança para o futuro.

Que venha o apocalipse (revelação)!

Quem te nomeou juiz para que julgue ao próximo?

Juiz-sergio-moro-reforma-código-penal-Foto -Lula-Marques- Agência-PT-10

Jesus nos diz que não devemos julgar pela aparência e sim pela reta justiça. No contexto em que ele falava, a recomendação tinha mais a ver com o julgamento do próximo em questões morais ou da lei de Moisés.

Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.

João 7:24

A tendência humana é julgar segundo as aparências (coisa pela qual o próprio Jesus passou ao ser chamado, por exemplo, de beberrão) e é isso que Jesus repreende. Julgar pela reta justiça requer um conhecimento mais aprofundado das situações e pessoas a serem julgadas, além de conhecimento da lei que se quer aplicar ao réu.

Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos.

Mateus 11:1

Obviamente todo esse conhecimento não está ao alcance de todos e muitos decidem ceder a tentação de julgar mesmo sem ter a informação, julgando superficialmente, pelas aparências e, portanto, pecando. É o que acontece muitas vezes no nosso dia a dia com as pessoas que conhecemos de perto ou de longe.

Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo.

João 8:15

O patrão muitas vezes julga o funcionário como vagabundo apenas porque em determinado momento o viu sem trabalhar ou vendo algo no celular; o colega de trabalho julga o outro porque não atende ao telefone tão rápido quanto ele gostaria ou o chefe porque desaparece do local de trabalho por várias horas durante o expediente.

Também há o julgamento superficial de pessoas mais distantes como artistas, esportistas ou políticos. Parece totalmente normal dizer que todo político(ou a maioria) é ladrão, mesmo que nunca tenha havido nenhuma prova a respeito de crimes praticados pela maioria deles. O jogador de futebol é facilmente acusado de não estar querendo jogar tudo o que pode ou estar “simulando falta” a todo momento. Atores e atrizes são facilmente estigmatizados como libertinos.

Tudo isso é muito comum, mas não é o ideal conforme Jesus. Isso não quer dizer que não se possa desconfiar de nada, mas sair por aí proferindo sentenças sobre o que não se tem evidências suficientes é ruim e perigoso até mesmo para o auto nomeado juiz, pois os critérios imperfeitos que ele utiliza para julgar a outros pode ser usado contra ele também, levando-o a uma condenação ainda maior do que a que ele proferiu contra o próximo.

Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

Mateus 7:2

Desconfie de tudo, pois o mundo jaz no maligno, mas não saía por aí dando sentenças sobre pessoas sem ter certeza. Na dúvida, aceite que pode haver inocência. Lembre que sempre pode haver um outro lado da questão. Não tenha medo de confiar em pessoas, somente porque talvez elas possam não ser confiáveis. Se alguém te trair, a culpa não é sua.

Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.

1 João 5:19

Comparar Jesus com outras pessoas é errado?


De tempos em tempos pessoas são comparadas com Jesus ou certa circunstância da atualidade é comparada com circunstâncias de histórias bíblicas.

Para algumas pessoas, desde que a comparação faça algum sentido, não há problemas em fazer essas comparações, mas para outros parece que comparar qualquer coisa a algo sequer próximo de Jesus seria um erro, pois tudo estaria muito distante dEle.

É preciso avaliar que tipo de comparação está sendo feita, antes de julgar se ela é válida ou não. Nem toda a comparação que envolva o nome Jesus é errada, ainda que Ele seja um homem incomparável. Como isso é possível? Vejamos:

Não há homem como Jesus

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

A Bíblia descreve Jesus não apenas como um mestre, um pacifista ou profeta, mas também como o único homem sem pecado, a Palavra de Deus encarnada e o próprio Deus feito homem (entre outras descrições). Logo uma comparação total entre uma pessoa e Jesus seria uma heresia, porém uma comparação parcial seria possível, pois Jesus também era homem e portanto tinha características humanas que são comuns a qualquer um de nós.

Vivemos na mesma terra

Também o tempo e as características sociais do tempo de Jesus não são necessariamente sagradas e nem totalmente distantes da nossa realidade. Segundo o autor de Eclesiastes, “não há nada novo debaixo do sol”, o que significa que há uma certa tendência na história a que coisas se repitam, ainda que com algumas diferenças de cada época. Os pecados denunciados na Bíblia há milênios ainda existem hoje na sua grande maioria (esse é um dos motivos da Bíblia ainda fazer sentido para nós hoje). Logo mencionar um episódio bíblico e compará-lo parcialmente a um acontecimento atual é totalmente possível também.

O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

O próprio Jesus fez comparações de coisas que não eram exatamente iguais

E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender.

As famosas parábolas de Jesus era um recurso didático que Ele utilizava para ensinar conceitos complexos através de uma linguagem mais acessível. Elas consistiam em comparar algo do dia a dia dos ouvintes com alguma outras coisa que eles não conheciam. Jesus comparou o Reino de Deus com diversas coisas que não eram exatamente como o Reino, mas tinham aspectos em comum com ele.

Conclusão

Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo;

Quem ousaria dizer que o Reino de Deus e a semente da mostarda são exatamente a mesma coisa? Ou mesmo quase iguais? No entanto, Jesus comparou uma coisa a outra. Será que Ele não conhecia a semente da mostarda o suficiente? Será que não conhecia o Reino? Será que estava exagerando só para chamar a atenção?Acredito que não. Se dá para comparar o Reino de Deus a uma semente, dá para comparar Jesus a homens de hoje . Desde que tudo seja feito com moderação.