A Bíblia e a definição de família

Sobrinho novo a caminho

A definição de família como a união de um homem e uma mulher aprovada pela comissão especial sobre estatuto da família é extremamente limitada e a Bíblia não a confirma.Na Bíblia a definição de família é bem mais flexível como pode ser conferido fazendo uma pesquisa da palavra “família” por toda a Bíblia.Um exemplo simples é o desse versículo que fala sobre famílias de animais:

 

Todo o animal, todo o réptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre a terra, conforme as suas famílias, saiu para fora da arca. Gênesis 8:19

 

Se a Bíblia reconhece família de animais, logo família não é algo que dependa de um homem e uma mulher.Mas suponhamos que alguém diga que se está falando de família humana e não família no sentido mais amplo.Nesse caso temos outro exemplo de família bem mais ampla reconhecida na Bíblia:

 

E, fazendo chegar a tribo de Judá, tomou a família dos zeraítas; e fazendo chegar a família dos zeraítas homem por homem, foi tomado Zabdi; Josué 7:17

 

Vemos aí que uma família nesse contexto podia conter muita gente, a ponto de se dizer que haviam vários homens, não somente um homem e uma mulher.

 

Obviamente muitos apoiam a definição de família apenas como sendo formada por um homem e uma mulher apenas para poder dizer que a união de dois homens ou de duas mulheres não é uma família de verdade mas essa redução acaba atingindo também muitos outros tipos de família. Seria mais honesto(embora terrível) propor então que não seja considerada família uma união de duas pessoas homossexuais.

 

A Bíblia provavelmente não fala de nenhuma família formada por homossexuais ou se fala não deixa isso claro mas isso não justifica que se pense que a Bíblia só reconhece o formato de família chamado “tradicional” ou “nuclear”. Também não se pode pensar que só porque determinado formato de família não é mencionado na Bíblia que a Bíblia seja contra.

 

Há quem diga que versos como os que citei não servem como argumento porque esses versos não seriam versos que estão definindo o que é uma família. O problema é que provavelmente (e já li a Bíblia diversas vezes) não há verso que defina explicitamente o que é ou não uma família.Há diversos versos que falam de família e que alguns juntam para depois tentar definir o que seria o “ensinamento bíblico a respeito de família”. Um dos problemas disso é que ao dizer que um dos versos que citei não vale, teria que se dizer que a Bíblia errou ou mentiu o que para eles também costuma ser inadmissível.Poderia-se também dizer que houve problema de tradução, o que seria bem complicado.Outros poderiam citar tradições extra-bíblicas que também não ajudam muito.
Muitos apoiam certas ideias e outros pegaram raiva da Bíblia por achar que ela diz coisas que não diz. Por isso é importante esse tipo de esclarecimento.

Marina Silva, casamento gay e Silas Malafaia


photo:

Em 2010 Silas Malafaia disse apoiar Marina Silva e mais tarde deixou de apoiá-la para apoiar José Serra. Os motivos para deixar de apoiar Marina foram diversos, entre eles o posicionamento dela sobre aborto e por ela não ter dado importância a um projeto de lei que pretendia fazer com que toda biblioteca tivesse uma bíblia.

Marina com relação ao casamento gay defendia o mesmo que defende atualmente (não, ela não mudou de posição) e após as declarações de Malafaia não alterou nada em seu programa e nem prometeu dar atenção a lei das Bíblias nas bibliotecas como forma de agradar o falso pastor.

“Em entrevista para o UOL Eleições, a presidenciável Marina Silva (PV) se disse “não favorável” ao casamento gay e afirmou não ter posição fechada sobre a adoção de filhos por casais homossexuais. A senadora revelou que não irá à Parada Gay, que será realizada em São Paulo no próximo fim de semana.”

http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/01/marina-se-diz-nao-favoravel-ao-casamento-gay-e-propoe-plebiscito-sobre-maconha.jhtm

 

Em 2014, Silas Malafaia mudou de tática.Não fala mais da lei da Bíblia nas bibliotecas, apenas finge se importar com um ponto do programa de Marina que estava diferente do que ela pensava em 2010, o que, se fosse realmente a posição atual dela, demonstraria uma mudança em relação a 2010.

Provavelmente a ameaça que ele faz a ela de que se não mudasse o ponto do programa, ele faria uma declaração a respeito dela tem a ver com a constatação de que o ponto do programa contrariava o que ela dizia anteriormente.Provavelmente se ela não corrigisse o programa ele fosse dizer que ela se tornou menos cristã ou que estava se contradizendo em relação a 2010, talvez até fazendo essa mudança apenas para agradar aos eleitores gays e conseguir seus votos.

 

Silas Malafaia provavelmente imaginava que Marina ao perceber o erro o corrigiria(não deixaria de corrigir só para não ser mal interpretada) e aí passaria mais uma vez a imagem de homem influente que tem poder sobre pessoas.Se a Marina realmente tivesse mudado de convicção ele aproveitaria para se expor como defensor da coerência política e cristã e dos “bons costumes”.

 

Marina Silva corrige o programa, deixando-o conforme sua opinião de 2010 e muitos entendem que ela retrocedeu devido ao falso pastor, mesmo ela já tendo apresentado a mesma visão em 2010 e demonstrado que não se importa com a visão do pastor em 2010.
Acredito que essa interpretação seja fruto de desinformação e/ou preconceito, em parte por ela ser evangélica e declarar isso abertamente.

O vazio de todos nós

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photo: SamahR

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus? Salmos 42:2

 

Estendo as minhas mãos para ti; como a terra árida, tenho sede de ti.  Salmos 143:6

 

Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Gênesis 2:18

 

Tem me intrigado bastante a ideia do “vazio” interior que os descrentes teriam ou que todos temos, crendo ou não.Normalmente a ideia do vazio da pessoa sem Deus é utilizada no evangelismo, sendo prometido a ela que se crer em Cristo esse vazio será preenchido e ela nunca mais viverá essa sensação incomoda.O problema é que todo cristão também passa por épocas em que parece ter um “vazio”.

 

Isso leva à questão: “Será que realmente há alguma diferença entre o crente e o descrente nesse aspecto?É honesto prometer que Deus preencherá esse vazio e lhe dará paz, sendo que nós mesmos, crentes, vivemos sentimentos de vazio e conflitos interiores constantemente?Mais que isso, será que a situação do crente não é até pior que a do descrente?”.

 

Aparentemente, o que acontece  é que existem mais de um tipo de “vazio”. Todo ser humano sem Deus tem o vazio de Deus mas não é só isso.Todo ser humano também tem uma necessidade de se relacionar com outros seres humanos e está sujeito a sofrimentos imensos se não consegui-lo satisfatoriamente, ainda que esteja “muito bem com Deus”.

 

Desse modo, é de maior importância de que o homem se reconcilie com Deus a fim de apaziguar a alma e preencher um dos vazios mas ele continua precisando se relacionar com outros seres humanos para estar bem.

 

Com relação ao maior sofrimento que algumas vezes o cristão aparenta ter, isso tem a ver com o nível maior de consciência que o cristão maduro tem, o que faz com que ele seja mais sensível as dores do mundo do que uma descrente alienado da realidade.Se fôssemos medir a quantidade de sofrimento, então talvez o crente realmente sofresse mais, embora também tenha uma estrutura melhor para suportar os sofrimentos comuns a todos do que os que não creem.

 

Acredito que o vazio do ser humano, seja de Deus ou de outros seres é o que sustenta grande parte dos profissionais da psicologia, dos que trabalham com diversão, entre outras coisas.Se o homem se relacionasse satisfatoriamente com Deus e com os homens, provavelmente não precisaria de terapia alguma e nem de fugir da realidade com bebidas, drogas, sexo e outras coisas.

Créditos da foto http://www.flickr.com/photos/27807834@N02/